quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Os Jovens Milionários de Renê Terra Nova

Igor Domanni

Me surpreendi ao ver, na comunidade cristã onde congrego, alguns jovens que diziam ter ido a um congresso de uma certa Aliança Jovem Internacional e que lá o "apóstolo" tinha dito [com cunho profético] que Deus iria levantar 12 milionários por estado e que estes iriam sustentar o Brasil.

Claro, com a melhor das intenções. Esses jovens não irão ser apegados ao dinheiro e irão manter ministérios e mais ministérios.

Mais impressionado [e triste] fiquei ao conversar com amigos sobre tal profecia e perguntar se tal teria uma base bíblica, algum fundamento em Cristo, enfim, se essa profecia realmente pode ser levada a sério?

E a resposta foi que nem tudo precisa ter base bíblica.

Ao insistir arguindo se Cristo, em sua passagem pela terra, fundamentou em algum momento tal ideia, a resposta foi que com Jesus o lance era diferente, porque ele se fez pobre para nos enriquecer! E que Jesus não disse que era impossível um rico entrar no Reino dos céus, era só muito difícil. Bom, eu nunca fui muito aventureiro mesmo...

Ao insistir mais ainda, lembrando a vida da igreja primitiva, onde todos repartiam tudo e nada tinham de si mesmos mas era tudo de todos. Uma pessoa argumentou (e não sofreu contra argumento de ninguém além de mim) que esse estilo de vida era só daquela época. Afinal eles pensavam que Jesus realmente voltaria logo (coitadinhos), por isso vieram com essa história de repartir tudo. Hoje, Deus quer que seus filhos sejam ricos e estejam nos maiores status da sociedade.

O que eu fiz? parei de argumentar. O que disse eles ouviram. Meus argumentos não fugiram da Palavra de Deus, de Cristo. Se eles insistem em relevar isso, tenho pena deles, pensam que estão no caminho certo mas não estão. Não há caminho fora do Caminho. O Caminho é Cristo. A Luz veio a nós mas os homens a desprezaram.

PS: sobre o "ele se fez pobre para nos enriquecer" está em 1Coríntios 8.9 Mas é só ler o contexto, voltando lá no começo do capítulo para que se entenda: o que Paulo estava falando da igreja da Macedônia, de como eles eram pobres financeiramente e mesmo assim, entregando tudo o que tinham para (provavelmente) financiar uma viagem dele. Veja os versículos 2 ao 4.


"Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos."

Para mim isso é muito mais uma gente sem recursos que pela Graça de Deus, por milagre mesmo dá e mesmo assim nada lhes faltam. Pela generosidade do coração deles.

Mesmo que eu não tenha argumentos para refutar a ideologia posta pelo tal versículo, olhando o corpo do texto, o contexto, a coisa muda de figura.

"Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." [1 Timóteo 6:3-10]

domingo, 26 de dezembro de 2010

O PASTOR DE CRENTES

“E ele (Cristo) designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado...” (Efésios 4.11,12)


“E ele (Cristo) designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado...” (Efésios 4.11,12)


Uma das imagens mais ricas de gente e liderança, na Bíblia, é de ovelhas e pastor.

Dirigentes políticos (reis e imperadores) são havidos como pastores de seu povo. Deus chama o imperador Ciro de “Ciro meu pastor”.
"Assim diz o SENHOR, o seu redentor... que diz acerca de Ciro: Ele é meu pastor, e realizará tudo o que me agrada; ele dirá acerca de Jerusalém: 'Seja reconstruída', e do templo: 'Sejam lançados os seus alicerces'”. (Isaías 44.24a e 28).
Em Jr 3.15, lemos:
“Então eu lhes darei governantes (pastores) conforme a minha vontade, que os dirigirão com sabedoria e com entendimento”.

Pastores são líderes religiosos:
O papa, cardeais, os bispos e os párocos são “pastores” para os católicos.
O Pastor, conforme a teologia pastoral católica, e também a evangélica, é o “homo Dei”, “angelus Domini”, o “minister Christi”.
O pajé para a tribo indígena, o rabino para os judeus; o íman, para os muçulmanos; os gurus para religiosos hinduístas e outros constituem “pastores”, líderes religiosos.
Temos no NT “pastores” ou “bispos” como líderes das comunidades cristãs ou dos crentes e suas qualificações se encontram nas epístolas a Timóteo e Tito.


Pois bem. Quem é o “pastor de crente”?
Nesta mensagem, bem a propósito do DIA DO PASTOR, tem duas partes: a primeira diz o que o pastor de crente não é; a segunda, o que ele é, à luz do NT e da história da igreja.

QUÊ O PASTOR DE CRENTE NÃO É?
Pastor de crente não é dominador da consciência dos crentes, nem dono do rebanho, porque este pertence ao Senhor.
Pastor de crente não é guru que tenha de ter consultado cada dia, sobre cada passo que o tenha de dar.
Pastor de crente, verdadeiro pastor, não é explorador da credulidade das pessoas e nem delas manipulador, sendo sua força o exemplo e a fidelidade à Palavra de Deus.
É preciso distinguir “pastores” e “pastores”.
Pastor verdadeiro não é dono de igreja, nem mercadejador da Palavra de Deus ou empresário da fé.
QUÊ É O PASTOR DE CRENTE – UM VERDADEIRO PASTOR:
Verdadeiro pastor de crente tem consciência de que o Rebanho, pequeno ou grande, pertence a Jesus Cristo, por isso não é dominador, mas, sim, exemplo para a igreja que o Senhor lhe confiou.
Todo pastor diz como Paulo: “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério”. (I Timóteo 1.12)
Verdadeiro pastor de crente é servo ou ministro de Cristo (I Co 3.5; 4.1), e presente do Senhor à igreja (Ef 4.11)
Verdadeiro pastor de crente tem consciência de que é servo-líder e capacitador dos crentes, de modo que eles cumpram cabal e eficazmente seu ministério na igreja e no mundo (Ef 4.11)

Verdadeiro pastor de crente é instrumento de Deus para discipular os que creem e mentorear os líderes atuais e a liderança emergente da igreja.
Verdadeiro pastor de crente sabe que recebeu do Senhor o ministério da Palavra, e deve exercê-lo mediante a proclamação de Cristo, exposição das Escrituras Sagradas, o ensino e a exortação, fiel ao que dispõe a Palavra:
2 Tm 2.15 - “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade”.
2 Tm 4.2 – “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina”.
Verdadeiro pastor de crente sabe que tem a responsabilidade de liderar o povo de Deus na adoração, promover a comunhão e motivar para o testemunho cristão e o serviço a Deus e à comunidade.
Verdadeiro pastor de crente tem consciência de que deve trabalhar em prol da unidade e integridade da igreja, e da edificação de seu povo e o preparo doutrinal e espiritual dele para enfrentar os vendavais e tsunamis de heresias e mentiras que arrastam os incautos, imaturos e inseguros na fé.
Verdadeiro pastor de crente ambiciona levar seu povo à busca de crescimento em conhecimento, graça e santidade, tendo por alvo a estatura do Varão Perfeito, Jesus.
CONCLUSÃO: Louvado seja o Deus trino que providenciou pastores para o seu povo!



Pr. Irland P. Azevedo

sábado, 25 de dezembro de 2010

QUANDO DEUS ESTÁ DO LADO DE FORA.

Eis que estou a porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. (Apocalipse 3:20)


João, o apóstolo teve uma visão que Jesus lhe mostrara concernente ao que aconteceria nos últimos dias, tendo recebido de seu Senhor a revelação escreveu sete cartas aos sete pastores das sete igrejas da Ásia. Em todas as cartas Deus alertava as sete igrejas quanto ao arrependimento e também elogiava os quanto a sua fidelidade.

O que me chama a atenção em todas essas cartas é que em uma das igrejas conhecida como igreja de Laodicéia, Deus já não era bem vindo nas suas reuniões, Ele se encontrava do lado de fora batendo a porta querendo entrar e fazer parte do culto. Os laodicenses estavam cegados de tal forma que já não conseguiam sentir, ver e ouvir Deus.

Muitas igrejas que conhecemos desde aquela mais pentecostal até aquela que é mais tradicional estão passando por esse mesmo problema, algumas de um modo desapercebido, outras posso até dizer que é por dureza de coração de seus lideres que sabem que estão mais agradando seus membros do que Deus que é o merecedor de nosso culto.

O alerta de Deus tanto para a igreja de Laodiceia quanto para as dos dias atuais é o arrependimento prematuro, ou seja, arrepender antes daquele grande dia, Deus dá o seu diagnóstico dizendo que a igreja não é quente e nem fria, mas morna causando em Deus ânsia de vomito, pensavam ser afortunados, mas na ótica de Deus não passavam de uns miseráveis, pobres, cegos e nus.

Deus exorta essa igreja ao arrependimento e a volta ao primeiro amor como um pai que exorta e castiga a todos quanto ama.

A igreja do hoje está passando pelo mesmo problema de outrora, muitos pensam possuir quando não possuem nada, acreditam ser quando na verdade são uns miseráveis pobres cegos e nus precisando do atendimento e do perdão de nosso Senhor Jesus Cristo.

Deus está do lado de fora de muitas reuniões ditas evangélicas, sua presença já não é bem vinda em muitos cultos, até desejam, porém se preocupam mais com seus desejos humanos e com a presença de pessoas ilustres do que com a presença de Jesus. Em muitas igrejas Deus está do lado de fora batendo a porta querendo entrar, porem seus lideres e membros já não conseguem: Ouvir Deus batendo a porta: Estão acostumados com a liturgia do culto que se tornou normal sentar, cantar, pregar e sair das reuniões sem ouvir Deus falar, ouvem mais homens com suas carnalidades a flor da pele e com seus discursos terapêuticos e mensagens de auto ajuda que em nada edificavam a igreja, antes ensinam que todas as coisas podemos pela fé na fé e não em Deus e na sua palavra.

Sentir a ausência de Deus nas suas reuniões: Os desejos humanos tem grande valia em muitos templos que o interessante é a satisfação dos membros e não a do convidado maior. Tudo é feito para entreter o auditório presente desde que satisfaça a alegria dos colaboradores. Estilos musicais, formas teatrais e até mensagens suaves e doces são empregadas em reuniões sem ao menos perceber que Deus se encontra do lado de fora.

Adorar a Deus com Integridade e Fidelidade: Os desejos humanos tem se tornado muito forte ao ponto dos crentes já não conseguirem adorar a Deus como antigamente, uma adoração fingida, interesseira onde coloca Deus na parede forçando a dar das suas bênçãos a todo custo, outros usam formas mágicas de enriquecimento a base da fé e da falácia. Canta-se para alegrar os presentes e não para cultuar a Deus.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PASTORES VOADORES

"É necessário que ele cresça e que eu diminua." (João 3-30)

Quero deixar claro que não sou contra a pessoa do pastor e de nenhum pastor, eu estou colocando o que está acontecendo.
Ao ler a matéria da revista “Cristianismo Hoje – n. 1 ano II – pastores voadores” eu fiquei com o coração apertado, chorando por dentro e lembrando que algumas vezes eu mesmo vi pedidos de ofertas para investir em evangelização.
Não digo que não é investido em evangelismo, mas poderia ser integral no evangelismo.


Outros ofertam crendo que aquela promessa de prosperidade feita pelo homem de Deus chegue até a sua casa para que a fome dê lugar ao pão na mesa. Alguns com um coração aberto e crendo que isso é correto devido a falta de conhecimento, mas é claro que tem muitos que ofertam para barganhar com Deus.


O que mais dói é que para pedir ofertas existe um discurso todo preparado e voltado para a evangelização, mas depois que estão com o dinheiro no bolso não presta contas com ninguém e critica aquele que fala sobre suas aquisições com o dinheiro do povo.


Foi assim que muitos líderes evangélicos compraram aviões, redes de TV, é desta forma que montam as diversas caravanas para Israel e acumulam riquezas nesta terra. Será que os aviões são estratégias evangelísticas ?
A prosperidade Financeira prometida é de quem? Deles ou dos que ofertam?
Será que os folhetos serão jogados pelas janelinhas do avião eclesiástico?


Nem todo mundo vive nas nuvens, ao virar a página da revista, percebemos que o sonho de um missionário e um sonho de um pastor em seu estrelato é bem diferente.


A matéria “O Socorro na Dor” , uma iniciativa do missionário Sérgio Murilo da Silva em criar e construir um lugar de esperança para quem sente a dor no seu corpo, um lugar de atendimento fisioterápico gratuito – sem que ninguém pague 900 reais para ser atendido.


Enquanto alguns estão aproveitando as ofertas para comprar aviões, outros estão tomando a iniciativa para levar um atendimento aos pobres sem ter que fazer uma conferência onde pregadores internacionais incentive uma campanha de doações e ofertas para que o sonho do pastor seja realizado.


Sonho de missionário não é o mesmo sonho de pastor da prosperidade


A matéria do missionário está registrada na pág 23 da revista: "Sergio teve um sonho: “poder servir a comunidade onde vivia – Se eu mesmo não fizesse alguma coisa, quem de fora ia fazer?”


Depois de ter sofrido um acidente e saber como é difícil não ter acesso a saúde privada, ele decidiu realizar o seu sonho que é dar aos necessitados um pouco de amor, já que muitos pastores estão preocupados com outras coisas.


Agora que você conheceu o sonho de um missionário que vive na periferia e quer ajudar o pobre e necessitado e conhece o sonho de muitos pastores, apóstolos e líderes evangélicos pelo seu aviãozinho particular – pergunto a você: Qual seria o sonho de Jesus ? Qual dos dois sonhos Jesus apoiaria?


Jesus apoiaria o sonho de quem?


Rene Terra Nova, um dos propagadores do M12 comprou o seu avião com o apoio de um pastor conhecido internacionalmente,Mike Murdock, que em 2009 incentivou uma campanha de doações a fim de que Terra Nova pudesse realizar o seu sonho – Após chamá-lo à frente, Mike Murdock disse que ele mesmo ofertaria 10 mil reais, a atitude foi seguida por dezenas de pessoas.


Mesmo constrangido pela situação, Terra Nova disse que aquele era o seu desejo e que ele se submeteria ao que considerava ser a vontade de Deus.


Enquanto pastores e Bispos têm acesso ao seu avião privado, outros não têm acesso nem a saúde privada.


O problema não é ter um avião, um supersônico, um foguete, mas é como estas “bênçãos” chegaram até estes líderes.


Sem dúvida, a maior surpresa foi o que aconteceu no programa do pastor Silas Malafaia devido ele ser um pastor que lutou contra a teologia da prosperidade, contra o G12 e contra as diversas heresias de ofertas abusivas de outros ministérios.


Mas hoje, ele mesmo vende em seus programas a bíblia da prosperidade que Morris Cerullo comentários e estudos.


Além de vender a bíblia, Morris Cerullo fez um pedido de oferta voluntária mas com um preço estipulado de 900 reais,
MAS QUAL É A PRESTAÇÃO DE CONTAS?


Não existe prestação de contas, aquele que quer saber é considerado um crítico que tem inveja do sucesso dos outros.


O pastor Silas Malafaia responde aos críticos da seguinte forma: “Quem critica não faz nada. Você conhece alguma coisa que algum crítico construiu? Crítico é um recalcado com o sucesso da obra alheia.”


Mas eu queria fazer outra pergunta: Você conhece algum crítico que comprou um avião com pedidos de ofertas para evangelização?


Eu fico me perguntando: Se para pregar em outras igrejas os pastores pedem uma oferta que dá para pagar as passagens de avião, para ficar em um belo hotel e não gastam nada, pelo contrário, ganham mais do que muitos cristãos ganham no mês para sustentar sua família – Para que ter um avião?


É verdade, o crítico não faz nada e não faz o que muitos pastores fazem – eles não tem coragem de fazer pedidos de ofertas voluntárias com o valor estipulado – não participam de congressos e reuniões onde os pregadores instigam o povo a dar seus bens, suas posses e ofertas supersônicas.


Eu prefiro ser crítico e pregar o evangelho da graça do que fazer do evangelho o meu aviãozinho.


As vezes queremos ser como o pregador “A”, o Conferencista “B’, ser como o profeta “C’ ou o apóstolo “D”,mas nunca queremos ser como um missionário que não pensa nele mesmo, mas nas vidas que estão em sua volta.


Sabe o porquê o missionário pensa no próximo e alguns pastores pensam em bens materiais?


Porque o escritório pastoral muitas vezes é aconchegante, confortável, tira a verdade do mundo e empurra os problemas para fora.


O missionário pensa no próximo porque o seu escritório é a RUA!


A rua do bairro onde vive, o seu relacionamento é com aqueles que querem apenas a atenção, um prato de comida e alguém que olhe para ele e o abrace.


Para quem acha que não precisa de ninguém e está por cima de tudo e de todos, deixo uma passagem de apocalipse:


Apocalipse 3 v. 17-18 :Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.


Chego a conclusão que o sonho de um missionário vale mais que o sonho de muitos pastores que fazem do Evangelho a sua empresa particular. Eu sou pastor, mas prefiro sonhar como missionário.


Graças a Deus, nem tudo está perdido.


Ainda sobram os remanescentes, aqueles que buscam a verdade, o perfeito e simples Evangelho de Cristo, sempre tendo a esperança maior no Senhor e dizendo como o profeta Habacuque: "Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação".




Pr. Alexandre Farias

(OBS) O pior de tudo é que há uma legião de pastores se espelhando nestes espertalhões, que o Senhor tenha misericórdia destas vidas. Muitas vezes fico imaginando se o Senhor Jesus chegasse em seu jumentinho com suas chinelas de tiras de couro empoeiradas próximo de um destes "apostolos " da prosperidade, o quanto seria rejeitado. Misericórdia!
Pr. Flávio Neres

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A FRAUDE DO ESPIRITISMO

Qual a origem do espiritismo?
Desde os tempos antigos o homem buscou o contato com os mortos. A organização do espiritismo foi feita somente no século passado, em 1848, quando nos Estados Unidos, as irmãs Fox divulgaram fatos estranhos atribuídos a contatos com o além. Durante muitos anos as irmãs Fox percorreram o mundo divulgando as suas experiências. Todavia, em 1888, as mesmas irmãs Fox, em entrevistas dadas a um jornal americano, revelaram ser tudo uma fraude (mentira inventada). Neste meio tempo, na França, um homem conhecido como Allan Kardec, influenciado por esta corrente de pensamento, publica em 1857 o “Livro dos Espíritos”. Esta é a data tida como da fundação do espiritismo Kardecista.

O que pretende o espiritismo?
O espiritismo se apresenta como a verdadeira religião. Ele se considera a terceira revelação. A primeira foi dada a Moisés, a segunda a Jesus e a terceira através dos espíritos. Portanto, para os espíritas a Bíblia contém uma mensagem “de valor secundário, ou revogada e sem valor algum, em 90% do seu texto”. (Reformador – órgão oficial do espiritismo no Brasil – de 01/09/1953, p.23.)
Estes dois pontos (verdadeira religião e pouco valor à Bíblia) nos fazem lembrar a segura e severa orientação de São Paulo em Gl 1,8: “mas ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que seja anátema”.
Também é importante lembrar Apocalipse 22,19: “E se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descrita neste livro”.
Aqui percebemos os primeiros motivos pelos quais o cristão não pode ser espírita.
Existem outros motivos pelos quais o cristão não pode ser espírita?
Sim, vamos citar alguns:
O espiritismo acredita na reencarnação. A Bíblia ensina o contrário. Hb 9,27: “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo”.
Quando alguém acredita na reencarnação, nega o que Jesus fez por nós na Cruz. Ef 1,7: “Neste filho, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça…”.
Observe que se a pessoa acredita na reencarnação, ela torna em vão o sacrifício de Cristo. Pois se a pessoa precisa reencarnar está afirmando que a obra de Jesus não foi suficiente. E a Palavra de Deus afirma que só o sacrifício de Cristo possui o poder de nos salvar. Hb 10,10: “Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela ablação do corpo de Jesus Cristo”. Hb 10,14: “Por uma só oblação Ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação”.
A doutrina espírita não acredita no poder redentor da Cruz de Cristo. Leão Denis, um espírita, em seu livro “Cristianismo e Espiritismo”, na página 88, afirma: “A missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da Humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo…”.
Um cristão não pode acreditar nestas palavras de Leão Denis, pois em 1Pd1,18 está escrito: “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis como a prata e o ouro, que tentes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo”.
Outro textos contra a reencarnação:
• Lucas 16, 19-31 – A parábola do Rico e Lázaro;
• Lucas 23,43 – As palavras de Jesus ao bom ladrão;
• Ecl 11,28 – Afirmar que o Senhor atribuirá a cada um segundo as suas obras.

Além da reencarnação, existem outros pontos do espiritismo contrários aos ensinamentos da Bíblia?
A evocação ou consulto aos mortos. Em Dt 18,11-12 e em Lc 16,27-31 vemos claramente a proibição dada por Deus e confirmada por Jesus.
O espiritismo não acredita na Santíssima Trindade, mas somente em um Deus uno.
O espiritismo se apresenta, conforme declaração da Federação Espírita Brasileira, como religião “sem ritos, sem liturgia, sem sacramentos”. Tal afirmação faz com que a Igreja não tenha mais sentido. E isto contraria a vontade de Jesus em Mt 16,19-19.
Fora estes motivos, vemos que a Bíblia é contra qualquer prática espírita: Lv 19,31 – Lv 20,6 – Lv 20,27.
Em 1Cr 10,13 vemos a explicação dada para a morte do rei Saul: “Saul morreu por causa da infidelidade, da qual se torna culpado contra o Senhor, não observando a Palavra do Senhor e por ter consultado necromantes”.

Como explicar os fenômenos espíritas? Será que de fato os espíritos baixam?
Começamos esta explicação com uma afirmação de Allan Kardec, um dos fundadores do espiritismo: “Posso dizer que nestes 40 anos quase todos os médiuns célebres passaram por meu salão e quase todos surpreendi em fraude”.
Ao lado desta colocação existem as experiências feitas em sessões espíritas em sua maioria concluem: “Não existem provas da presença de espíritos, pois os espíritos nunca puderam provar que sabem qualquer coisa”. Ao contrário, existem provas de que muitas das chamadas revelações espíritas no campo da ciência, por exemplo, feitas por Allan Kardec, estavam cheias de erros. Tanto é verdade que as explicações dadas pelos próprios espíritas confirmam o que acabamos de dizer. Explicações sobre erros de Kardec: “As revelações de Allan Kardec não passam de suas idéias, impostas aos médiuns e por ele depois corrigidas”. Todavia, não podemos cair no extremo de afirmar que tudo é mentira ou embuste.

Então existe a manifestação de espíritos?
Aqui é preciso ter claro dois pontos?
a) Algumas incorporações (baixar espíritos) não passam de um condicionamento psíquico produzido pela própria pessoa ou pelo ambiente do centro espírita ou do terreiro.
b) Existem aquelas manifestações de espíritos que são manifestações de maus espíritos. Os espíritas geralmente dizem: “Existem bons e maus espíritos, nós lidamos somente com os bons”. O que é uma contradição, pois os bons espíritos conhecem a Palavra de Deus, e não a desobedecem.
A Bíblia diz que existem anjos que pode com a permissão de Deus, comunicar-se conosco. Por exemplo, em Lc 1,26ss, o anjo Gabriel que é enviado a Maria, mãe de Jesus.
A diferença entre esta aparição bíblica e o que acontece nos centros ou terreiros é evidente: Maria não evocou (chamou o anjo) e nem incorporou, ele foi enviado por Deus; já nos centros e terreiros os espíritos são evocados, e isto é proibido pela Palavra de Deus. (Dt 18,10-14 – Lv 19,31 – Lv 20,6 – Lv 20,27).
Existe o perigo de contaminação pelas forças do mal, para as pessoas que se envolvem com estas obras?
Segundo o Dr. Philippe Madre, psiquiatra, em seu livro “Pai, livra-nos do mal”, as práticas mágicas têm um efeito destruidor no equilíbrio psíquico do homem. Isto significa que as pessoas que buscam ou possuem objetos ligados a estas práticas estão sujeitas a sua influência. E aí entra a responsabilidade do homem, pois facilmente as pessoas lançam tudo nas costas do demônio.
A atitude correta é não se envolver com estas práticas e destruir todos os objetos a elas ligados (livros, objetos, roupas, amuletos…), e estar unidos a Jesus, pela prática da sua Palavra.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CUIDADO IGREJA COM AS HERESIAS!!!

O Apóstolo Renê Terra Nova, tem ensinado aos seus discipulos que o cristão deve preservar a identidade do seu líder. Para o Paipóstolo, o liderado nunca deve questionar a identidade de seu mentor. Segundo o Patriarca apostólico no dia em que João Batista fez isso, perdeu a cabeça. "Ele que havia preparado o caminho de Jesus, que era primo de Jesus, mas que perdeu o legado da identidade de Jesus, quando entrou na rota da suspeita da identidade de seu líder. “Herodes questionou a identidade de Jesus e foi comido por bichos. João Batista questionou a identidade de seu líder Jesus e por isso perdeu a cabeça. Todo aquele que duvida da identidade do líder perde a legitimidade e o legado da liderança de Jesus”, disse o Apóstolo."

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? onde está na Bíblia que João Batista perdeu a cabeça por ter questionado a identidade de Jesus? E quem disse que João Batista duvidou da divindade de Cristo? Sinceramente isso me cheira a manipulação religiosa das brabas! A impressão que tenho, é que o senhor Terra Nova, está a procura de pretextos para não ser questionado por ninguém, daí a argumentação de que João Batista morreu por ter duvidado do seu líder.

Pois é, como inúmeras vezes compartilhei neste blog, confesso que tenho estado impressionado com a capacidade de alguns dos evangélicos em criar coisas novas.
Infelizmente em alguns dos nossos arraiais o que mais encontramos é o aparecimento de estruturas monárquicas, onde apóstolos em nome de Deus mandam e desmandam na vida alheia. Tais homens, como ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo propriedade particular. Para piorar a situação em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir dos crentes, submissão total. Junta-se a isso o fato de que em nome de Deus, os coronéis da fé rogam “pragas e desgraças” para aqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade.

Pois é cara pálida, cuidado com a rebeldia até porque, segunda a doutrina "terranovesca" aquele que ousar questionar o seu líder, poderá perder a cabeça.

Dias dificeis os nossos!

Pense nisso!

Renato Vargens

A VERDADEIRA PALAVRA DE DEUS.
Onde está na Bíblia que João Batista perdeu a cabeça por ter questionado a identidade de Jesus? E quem disse que João Batista duvidou da divindade de Jesus?

Em primeiro lugar, foi o próprio João Batista quem disse para os seus discípulos quem era Jesus, leia João 1. 29,30:

"No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água. E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus".

João está testificando de forma inquestionável que Jesus era o Filho de Deus. Tanto que nos vessículos 35 a 46 alguns discípulos de João Batista passaram a seguir a Jesus.

Mas, talvez você pergunte: "João quando estava preso não ficou com dúvidas se Jesus era o Messias que estava por vir?" Pois em Mateus 11:2-6

"Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço".

A dúvida aqui não era de João, mas dos seus discípulos. João estava dizendo para os seus discípulos que o tempo dele estava terminando, pois em breve ele iria morrer e os seus discípulos precisavam seguir a Cristo, e mesmo que ele permanecesse vivo, Jesus é quem era o Messias e não ele. Tanto que Jesus operou vários milagres na presença dos discípulos de João exatamente para que eles não tivessem dúvidas de quem Ele era.

Em segundo lugar, João Batista era um homem cheio do Espírito Santo. Ele tinha uma influência sobre as pessoas que não era algo natural, tanto que ele foi-nos apresentado como o Elias que estava por vir (Ml 4.5,6 cf Mt 17.9-13). Assim como o Espírito Santo estava sobre Elias no Antigo Testamento, da mesma forma o Espírito Santo estava sobre João Batista, tanto que eles eram muito semelhantes em matéria de comida e até vestimentas.

A influência de João Batista foi tão forte que foi necessário ele sair de "cena" da forma como saiu, pois se ele permanecesse vivo, provavelmente ele seria um empecílio no ministério de Jesus, não por ele, mas alguns de seus discípulos que provavelmente teriam dificuldade de seguir a Jesus. Você pode observar isso lendo Atos 19.1-7 quando Paulo, mais de vinte anos da morte de João Batista, encontrou discípulos de João lá em Éfeso.

João Batista nunca teve dúvidas de quem era Jesus, aí me vem o Terra Nova nos dizer que João perdeu a cabeça por ter questionado a identidade de Jesus? Destorceu as Escrituras para beneficio próprio. E tem gente que acredita nesse indivíduo. Coitado de quem o segue.

Fique na Paz!
Pr. Silas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!

Roselaine Perez



Eu tive que digerir depressa demais o amontoado de quesitos que a Visão Celular possuía, parecia que tinha mudado de planeta e precisava aprender o novo dialeto local, e urgente, para conseguir me adaptar.


Ganhar / consolidar / discipular / enviar, almas / células/ famílias, Peniel, Iaweh Shamá, honra, conquista, ser modelo, unção apostólica, atos proféticos, mãe de multidões, pai de multidões, conquista da nação, mover celular, riquezas, nobreza, encontro, reencontro, encontros de níveis, resgatão, Israel, festas bíblicas, atos proféticos, congressos, redes, evento de colheita, prosperidade, recompensa, multidão, confronto, primeira geração dos 12, segunda geração dos 12, toque do shofar, cobertura espiritual, resultado, resultado, resultado, etc...


Era início do ano de 2002 quando fomos a Manaus, eu e meu marido, para recebermos legitimidade, enquanto segunda geração dos 12 do Apóstolo Renê Terra Nova no estado de São Paulo.As exigências eram muitas e muito caras:


•Compra do boton sacerdotal num valor absurdo.


•Hospedagem obrigatória no Tropical Manaus, luxuoso resort ecológico, às margens do Rio Negro, não um dos mais caros, mas “O” mais caro de Manaus (conheci Pastores que venderam as calças para pagar 2 diárias no tal resort e outros que deixaram a família sem alimentos para entrar na fila dos zumbis apostólicos, num Thriller nada profético).
• Trajes de gala Hollywoodianos.
• Participação obrigatória num jantar caro da preula após a cerimônia, tendo como ilustre batedor de bóia nada menos que o Apóstolo Renê e seus cupinchas.
•Tudo isso para ter a suprema dádiva de receber a imposição de mãos do homem, com direito a empurradinha na oração de legitimação e tudo ( uhuu!).


Nem mesmo em festa de socialite se vê exageros tão grandes em termos de exibição de jóias, carros, roupas de grife e todo tipo de ostentação escandalosa.


Hoje, sem a cachaça da massificação na cabeça, sinto vergonha e fico imaginando como Jesus seria tratado no meio daquela pastorada.


Ele chegaria com sandálias de couro, roupa comum, jeito simples, não lhe chamariam para ser honrado, nem tampouco perguntariam quem é o dono da cobertura dele , pois deduziriam que certamente dali ele não era.


Estive envolvida até a cabeça – porém não até a alma – na Visão Celular durante quase 5 anos, em todas as menores exigências fui a melhor e na inspiração do que disse Paulo "...segundo a justiça que há na lei dos Terra Nova, irrepreensível."




Entreguei submissão cega às sempre inquestionáveis colocações e desafios do líder, sob pena de ser rebelde e fui emburrecendo espiritualmente.


Me pergunto sempre por que entrei nisso tudo e depois que este artigo terminar talvez você me pergunte o mesmo, mas minha resposta tem sempre as mesmas certezas:


--> Todos nós precisamos amadurecer e, enquanto isso não acontece, muitas propostas vêm de encontro às fraquezas que possuímos e que ainda não foram resolvidas dentro de nós.


A partir da minha experiência pude enxergar as três principais molas propulsoras que fazem funcionar toda essa engrenagem:


1) A lavagem cerebral


A definição mais simples para lavagem cerebral é “conjunto de técnicas que levam ao controle da mente; doutrinação em massa”.


Em todas as etapas da Visão Celular se pode ver nitidamente vários mecanismos de indução, meios de trabalhar fortemente as emoções onde o resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade.


Os métodos coercivos de convencimento, os treinamentos intensos e cansativos que minam a autonomia do indivíduo, os discursos inflamados, as músicas repetitivas e a oratória cuidadosamente persuasiva são recursos que hoje reconheço como técnicas de lavagem cerebral, onde há mudanças comportamentais gradativas e por vezes irreversíveis.


2) Grandezas diretamente proporcionais


O Silvio Santos manauara é uma incógnita.Se em por um lado ele é duro e autoritário, noutro ele é engraçado, carismático e charmoso. Num dos Congressos em Manaus, me levantei da cadeira para tirar uma foto dele, que imediatamente parou a ministração e me chamou lá na frente. Atravessei o enorme salão com o rosto queimando, certa de que iria passar a maior vergonha de toda a minha vida, que o “ralo” seria na presença de milhares de pessoas e até televisionado.Quando me aproximei não sabia se o chamava de Pastor, Apóstolo, Doutor, Sua Santidade ou Alteza, mas para minha surpresa ele abriu um sorriso de orelha a orelha e fez pose, dizendo que a foto sairia bem melhor de perto. A reunião veio abaixo, claro, todos riam e aplaudiam aquele ser tão acessível e encantador.


Acontecimentos assim, somados à esperta e poderosa estratégia de marketing que Terra Nova usa para transmitir suas idéias, atraem para ele quatro tipos de pessoas:


•As carentes de uma figura forte (o povo simples que chora ao chamá-lo de pai).
• As que desejam aprender o modelo para utiliza-los em seus próprios ministérios falidos.
•Aquelas que desejam viver uma espécie de comensalismo espiritual, que vivem de abrir e fechar notebooks para ele pregar, ganhando transporte e restos alimentares em troca, as rêmoras da Visão.

•As sadomasoquistas espirituais. É tanta punição, tanto sacrifício, tanta submissão, que fica óbvio que muita gente se adapta a esse modelo porque gosta de sofrer. As interpretações enfermas do tipo “hoje eu levei um peniel do meu discipulador, então me agüentem que lá vou eu ensinar o que aprendi.”, eram a tônica das ministrações.
Pode acreditar que essas quatro classes de pessoas representam a grande maioria.


3) A concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida


O conceito da Visão Celular mexe demais com o ego, é sedutor, encantador, promissor, põe a imaginação lá no topo, puro glamour. A ganância que existe dentro do ser humano é o tapete vermelho por onde a desgraça caminha. Essa tem sido uma das causas pela queda de tantos e tantos pastores, por causa das promessas de sucesso rápido e infalível.


Renê não sabe com quem está lidando, mas é com gente!


Ele talvez ignore (não que ele seja ignorante) que cada ser humano é um universo e que as informações vão reproduzir respostas completamente inesperadas em cada um.


EU ASSISTI, na terra do Terra Nova, o “tristemunho” de uma discipuladora que, para confrontar e educar uma discípula, havia chegado à loucura de bater nela, para que a mesma parasse de falar em morrer. Esse é o argumento dos incapazes, dos que não conseguem levar cada triste, cada suicida ou deprimido às garras da graça de Cristo, mas que querem se fazer os solucionadores das misérias do povo.


Eu tenho até hoje péssimas colheitas dessa péssima semeadura, assumo meus erros e me arrependo profundamente de cada um deles:


• Quase perdi Jesus de vista
•Minha família ficou relegada ao que sobrava de mim.
•Minha filha mais velha, hoje com 23 anos, demorou um bom tempo para me perdoar por eu ter repartido a maternidade com tantas sanguessugas que me usavam para satisfazer sua sede de poder.
•Minha mãe teve dificuldade para se abrir comigo durante muito tempo porque, segundo ela, só conseguia me ver como a Pastora dura e ditadora. Tenho lutado diariamente para que ela me veja somente como filha.
•Fui responsável por manter minha Igreja em regime escravo (mesmo que isso estivesse numa embalagem maravilhosa), por ajudar a alimentar a ganância de muitos, por não guardá-los dessa loucura.
•Colaborei com a neurotização da fé de muitos, por causa da perseguição desenfreada pela perfeição e por uma santidade inalcançável.
•Fiquei neurótica eu mesma, precisando lançar mão de ajuda psicológica devido a crises interiores inenarráveis, ao passo que desenvolvia uma doença psíquica de esgotamento chamada Síndrome de Burnout*, hoje sob controle.
•Vendi a idéia da aliança incondicional do discípulo com o discipulador, afastando sutilmente as pessoas da dependência de Deus.
•Invadi a vida de muitos a título de discipulado, cuidando até de quantas relações sexuais as discípulas tinham por semana, sem que isso causasse ofensa ou espanto.
•Opinei sobre o que o discípulo deveria comprar ou não, tendo “direito” de vetar o que não achasse conveniente. A menor sombra de discordância por parte do discípulo era imediatamente reprimida, sem qualquer respeito. Quando isso acontecia os demais tomavam como exemplo e evitavam contrariar o líder.
•Aceitei que fosse tirada do povo a única diretriz eficaz contra as ciladas do diabo: a Bíblia. Não que ela não fosse utilizada, mas isso era feito de forma direcionada, para fortalecer os conceitos da Visão. Paramos de estudar assuntos que traziam crescimento para nos tornarmos robôs de uma linha de montagem, manipuláveis, dogmatizados.
•Fomentei a disputa de poder entre os irmãos ignorando os sentimentos dos que iam ficando para trás.
•Perdi amigos amados e sofri demais com estas perdas. Alguns criaram um abismo de medo, que é o de quem nunca sabe se vai ganhar um carinho ou um tapa, um elogio ou um peniel, mas sei que esse estigma está indo embora cada vez mais rápido. Outros me abandonaram porque não aceitaram uma Pastora normal, falível e frágil. Eles queriam a outra, a deusa, aquela que alimentava neles a fome por ídolos particulares.
Dentro da Visão, nossa Igreja esteve entre as que mais cresceram e deram certo na região, mas desistimos porque, acima de todo homem e todo método, somos escravos de Cristo.


Talvez o mais difícil tenha sido a transição do meu eu, a briga daquilo que eu era com o que sou hoje até que se estabelecesse Cristo em mim, esperança da glória.


Prossigo, perdoada pelo meu Senhor, tomando minhas doses diárias de Graçamicina, recriando meu jeito de me relacionar e compreender mais as falhas alheias e as minhas próprias.


Prossigo, reaprendendo a orar e adorar em silêncio, livre dos condicionamentos, admitindo meus cansaços, me permitindo não ser infalível, sendo apenas gente...Pastoragente!


Roselaine Perez


* SÍNDROME DE BURNOUT:Distúrbio psíquico, de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso.Se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Resultado de um esforço extremo, um desgaste onde o paciente se consome física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e intolerante, com predileção para aqueles que mantêm uma relação constante e direta com atividades de ajuda. Ocorre geralmente em pessoas altamente motivadas, que sentem uma discrepância entre aquilo que investem e aquilo que recebem.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ratos de Igreja

A Bíblia diz que o bispo (pastor) deve ser irrepreensível. (1 Timóteo 3:1) Quero destacar aqui uma das exigências de Deus para o líder (à maneira de Cristo) ser irrepreensível: "Não averento." (1 Timóteo 3:3)
Posso pensar? Não sou contra o pastor receber um salário da igreja. Trata-se de uma provisão amorosa cuidar dele, de sua esposa e de seus filhos. (2 Coríntios 11:8) Todavia, lamento haver pastores em nosso meio que só pensam em dinheiro. Sei de igrejas que cortaram sustento a missionários porque o pastor precisou ser reajustado. Numa dessas igrejas, o salário do pastor era de 25.000 Reais, enquanto que até hoje seminaristas em dificuldades para pagar seu curso de teologia aguardam por uma prometida ajuda, e missionários deixaram de receber seu salário devido ao orçamento da igreja estar comprometido com os honorários pastorais.
Sei também daqueles que mais falam sobre dízimos do que de Jesus Cristo. Mais interessante é a forma como enganam súditos, prometendo-lhes riquezas da parte de Deus em troca do dízimo, de ofertas, de ofertas especiais, e de muito, mas muito mais especiais ainda.
Ouvem-se em programas de rádio e televisão pastores oferecendo bênçãos divinas em troca de dinheiro. "O sangue da igreja de Cristo é o dinheiro dos fiéis", "Ou dá ou desce!", "Quanto mais para Deus, mais para você!" já me fizeram perder momentos de sono. Ratos malditos! E são criativos também! Usam sua inteligência para roubar o povo, vendendo água do Rio Jordão, pedras do Monte Sinai, sal, rosas-de-Sarom. Roubam sem que as pessoas percebam.
Tive o desprazer de conviver um pouco com um suposto pastor que vendia seus cursos de teologia. Para isso, ele contratava pessoas não-cristãs. Estas montavam suas equipes de telemarketing para vender esses produtos. A maioria dos compradores não recebia os produtos. Quando questionei o pastor e presidente desse "ministério", ele me respondeu: "O importante é que o dinheiro está entrando. O envio desses produtos não é problema meu."
Soube de um famosão, que ao receber uma oferta de 200,00 Reais, após sua pregação, exclamou: "Só isso! Se eu soubesse que seria pouco não teria vindo." Posso falar só mais um? Outro pastor de São Paulo foi convidado a ir a Santos pregar. Ele disse: "Eu não desço a serra de Santos por menos de 700 Reais." Isso que eu chamo de "serrar o povo". Diante disso, o povo de Deus, explorado, sofre nas garras desses ratos esfomeados. Isso me deixa triste. Tantos missionários poderiam ser ajudados com milhões de Reais se estes não fosem mal direcionados! Louvo a Deus que ainda há pastores sérios que usam até dos seus recursos para investir em pessoas comprometidas com o evangelismo e com missões. Lembro-me de um que doou 30% de seu salário para um jovem que passava dificuldades, de outro que pagou o curso de teologia de um missionário, e sei de tantos outros que olham para o dinheiro com visão de Reino de Deus. De fato, acumulam para si riquezas nos céus, não em suas contas bancárias.
Como é sinal dos tempos (2 Timóteo 3:2), não há armadilha que os detenha. Roubarão pela fé, usando de má fé, abusando da boa fé. Mas terão o seu dim dim na volta de Cristo.


Autor: Fernando G.

sábado, 20 de novembro de 2010

UM APELO AOS PASTORES

Por: Pr. Marcello de Oliveira


“Pastoreiem o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade” (1 Pe 5.2)


O pastoreio como metáfora para liderança é uma expressão recorrente nas Escrituras. Javé é o pastor de Israel. Líderes políticos também receberam esse mesmo título, mas foram rejeitados porque permitiam que suas ovelhas se dispersassem (Ez 34). Jesus tomou sobre si a função de Bom Pastor, aquele que conhece, conduz, chama, ama, alimenta suas ovelhas e dá a vida por elas.


É comovente a maneira com que Pedro se dirige aos líderes da igreja.


Ele faz um apelo para que eles pastoreiem o rebanho de Deus, no entanto, esse era o seu ministério ("cuide das minhas ovelhas" [Jo 21.18]) quando o Senhor o chamou pela segunda vez, à beira do lago da Galiléia. É provável que Pedro estivesse pensando nisso quando fez o apelo para que os líderes da igreja pastoreassem o rebanho de Deus. Seu apelo inclui três antíteses:


Em primeiro lugar, os pastores devem ter um espírito voluntário.


Devem servir "não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer" (1 Pe 5.2). A simples idéia de servir a Deus por obrigação é grotesca.


Em segundo lugar, a motivação deles deve ser livre de qualquer interesse.


"Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir" (v. 2). No entanto, ao longo da história, têm surgido muitos interesseiros tentando ganhar dinheiro com o ministério. No mundo antigo, havia um grande número de impostores que ganhavam a vida se fazendo passar por mestres itinerantes. Paulo, entretanto, abriu mão de seu direito de receber ajuda (ex: a igreja de Corinto) e trabalhou para se sustentar, demonstrando assim que a sua motivação era sincera. Infelizmente, ainda vemos muitos evangelistas (?) mal intencionados buscando enriquecer por meio de apelos financeiros.


Em terceiro lugar, a conduta dos pastores deve ser humilde.


"Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho" (v. 3). Será que os pastores nunca leram este texto das Escrituras?


Deus nunca nos deu uma procuração transferindo a igreja para nós. A igreja é Dele! Nós não somos donos de nada! Infelizmente, existem nos nossos meios verdadeiros coronéis da fé, caciques espirituais, que são chefes de tribos, e não pastores de ovelhas!


Jesus advertiu seus discípulos claramente sobre isso. "Os governantes das nações as dominam", ele disse, e "exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês" (Mc 10.42,43). Ao contrário, os líderes cristãos devem exercer seu ministério com humildade. Eles devem liderar não pela força, mas pelo exemplo.


Ó Deus, conceda-nos pastores segundo o teu coração (Jr 3.15)!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Alerta! Paganismo revelado na teologia da prosperidade.

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom (Mateus 6.24).
Jesus escolhe uma palavra aramaica Mâmon para personificar um dos mais poderosos deuses pagãos de todos os tempos: o Dinheiro. O adjetivo Mâmon, deriva do verbo aramaico amân (sustentar) e significa amor às riquezas e dedicação avarenta aos interesses mundanos. Jesus orienta seus seguidores a investir suas vidas na conquista de bens espirituais agradáveis ao Senhor e adverte para a impossibilidade de se servir com lealdade a Deus e ao mesmo tempo amar o deus Dinheiro. Isso não quer dizer que Jesus seja contra os ricos e prósperos, mas, sim, que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (Gn 13.2; Ec 3.13; 5.10-19; 10.19; 1Tm 6.10). O dinheiro é para ser usado e as pessoas, amadas. A inversão desses valores tem sido a razão de muitas desgraças (Is 52.3; 55.1; Rm 4.4; 1Tm 5.18). [1]
Não há duvida, de que a teologia da prosperidade tem sido um desses grandes males causados por aqueles que têm entregado suas vidas a serviço desse ídolo pagão chamado dinheiro. Os avarentos pregadores dessa teologia da miséria espiritual iludem o povo com falsos ensinamentos de que todos devem ser ricos, possuir mansões, carros, empresas, terem muito dinheiro no banco e nunca ficarem doentes.
A teologia da prosperidade induz as pessoas à avareza, ao egoísmo, a serem gananciosas e consequentemente introduz encobertamente no coração dos incautos esses deus chamado Mâmon.
A palavra de Deus diz que a avareza é idolatria. Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria (Colossenses 3.5).
Abrem os olhos meus irmãos! E voltemos ao verdadeiro e simples Evangelho.
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão (Provérbios 30.8,9).
Somente a Deus Glória!
Pb. Gleison Elias Pereira

sábado, 13 de novembro de 2010

SOMOS EXEMPLO NESTE MUNDO?

Há alguns anos, o governo comunista da China mandou um escritor escrever uma biografia do missionário Hudson Taylor com o objetivo de torcer os fatos e provocar descrédito no seu trabalho. Enquanto o autor fazia a sua pesquisa, ficou bastante impressionado com o caráter santo e a vida dedicada de Taylor, concluindo que sua tarefa seria demasiadamente difícil de executar. Mesmo sabendo que estaria arriscando sua vida, colocou de lado sua caneta, abandonou o ateísmo e recebeu o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal. Nosso exemplo, queiramos ou não, influencia a muitos que estão ao nosso redor. Nosso testemunho poderá conduzi-los à eternidade com Deus ou sem Ele. Somos luz para o mundo e essa luz não pode, de maneira alguma, permanecer apagada. A nossa vida é uma pregação constante e nossos amigos a ouvirão sempre que se encontrarem conosco. Quando Cristo é o principal tema de nosso viver diário, as trevas se dissipam, os escarnecedores se colocam à margem, os indiferentes são motivados, o sol das bênçãos de Deus brilha com mais intensidade. É grande a nossa responsabilidade e precisamos estar bem conscientes disso. Seria muito bom se, a exemplo de Daniel, ninguém pudesse encontrar coisa alguma de que nos acusar a não ser o fato de vivermos para adorar e glorificar o nome de Cristo. Os acusadores seriam envergonhados, o mundo seria envergonhado, o diabo seria envergonhado, o nome de Jesus seria exaltado, os céus estariam em festa e a felicidade seria total em nossas vidas. Se alguém buscasse motivos em sua vida para desmoralizá-la, o que encontraria? Muita coisa errada ou apenas o reconhecimento de que você realmente tem uma vida exemplar?

domingo, 7 de novembro de 2010

DIVISÃO NA IGREJA: REBELDIA DOS CRENTES, VONTADE OU PERMISSÃO DE DEUS?

Muitos pastores assembleianos batem no peito e orgulhosamente afirmam: "Esta igreja não é fruto de divisão nem de invasão!"


Parece-me que eles desconhecem a história da própria igreja que presidem ou cooperam (ou querem apagar alguma mácula ou memória do passado). Pior, parece-me que eles desconhecem a própria história das Assembléias de Deus no Brasil. Podem inclusive estar entorpecidos pelo desejo de ser diferente, de estar acima da média, de ser melhor do que os seus pares, de ser-mais.

As Assembléias de Deus no Brasil, nasceram de uma divisão. A história é clara. Não há nenhum demérito nisto. Em nada este fato diminui o trabalho dos pioneiros, nem de todos aqueles que contribuíram e contribuem para o crescimento da igreja.

O problema do surgimento ou criação de uma igreja não é ter sido resultado de uma "divisão", mas, da causa da divisão.

"Deus, não é Deus de divisão!" bradam alguns. A questão é: de qual divisão Deus não é Deus ? Será que estes tais já leram o texto bíblico abaixo:

"Tendo Roboão chegado a Jerusalém, convocou toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil homens escolhidos, destros para a guerra, para pelejarem contra a casa de Israel a fim de restituírem o reino a Roboão, filho de Salomão. Veio, porém, a palavra de Deus a Semaías, homem de Deus, dizendo: Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda a casa de Judá e de Benjamim, e ao resto do povo, dizendo: Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos de Israel; volte cada um para a sua casa, porque de mim proveio isto. E ouviram a palavra do Senhor, e voltaram segundo o seu mandado." (1 Rs 12.21-24)

Deus declara em sua palavra que a divisão das tribos foi provida por ele. A versão Revista e Corrigida de Almeida diz "eu é que fiz esta obra". A tradução NTLH relata "foi porque eu quis".


Não é a divisão em si mesma, mas são as causas que promovem uma divisão que importam, que sinalizarão se é necessária ou não, se é aprovada (ou tolerada) ou não por Deus . No caso do texto citado acima, a divisão foi resultado da arrogância, loucura, prepotência e orgulho de Roboão, que o levou a oprimir o povo de Israel (1 Rs 12.1-20).

A postura de Roboão é imitada atualmente por muitos líderes de igrejas no Brasil e no mundo. São agentes opressores que acabam promovendo divisões. No fim, para livrar a cara, chamam os que não suportam ou se indignam com a opressão de rebeldes e facciosos.

No Novo Testamento encontramos um caso clássico de divisão:

"Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão. Ora, Barnabé queria que levassem também a João, chamado Marcos. Mas a Paulo não parecia razoável que tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no trabalho. E houve entre eles tal desavença que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas." (Atos 15. 36-41)

Isso mesmo, Paulo e Barnabé se desentenderam e se separaram. Até homens de Deus se desentendem e se separam. Cada um seguiu o seu caminho. Qual dos dois foi o rebelde? Qual dos dois deixou de ser abençoado por Deus em razão da "divisão"?

Estou aqui fazendo apologia a qualquer tipo de divisão? Deus me guarde disso! Sei que há milhares de divisões promovidas e mantidas por Satanás e seus demônios. Há ainda outras divisões, resultado do desejo cego de alguns homens pelo poder ou para tirar alguma vantagem pessoal da situação. Há também divisões causadas e mantidas por uma vida de baixa moral e testemunho cristão duvidoso daqueles que fazem o "ministérios" ou "liderança". O que afirmo, é que usar o termo "divisão" de forma imprópria, para justificar um sentimento de orgulho pessoal e o desejo de parecer melhor que os outros, é uma falácia e um auto-engano.

E o que falar da Reforma Protestante? O racha no catolicismo romano, promovido pela coragem de Lutero, em face a opressão e aos absurdos doutrinários da liderança católica, do qual todos nós protestantes, de alguma forma somos fruto.

Mas como falava, as Assembléias de Deus no Brasil nasceram de uma divisão ocorrida na Igreja Batista de Belém, no dia 13 de junho de 1911. Uma divisão causada pelo fato de um grupo de dezoito irmãos afirmarem publicamente que criam no Batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelo falar em outras línguas. Este fato causou a expulsão do grupo, juntamente com os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren.

Alguém pode afirmar "mas eles não dividiram a igreja, foram expulsos da mesma". Esta afirmação é uma tentativa de atenuar os fatos. Mas por qual razão foram expulsos? Foram expulsos em razão de não negociarem a verdade de Deus. Foram expulsos por não se renderem a pressão sofrida. Foram expulsos por suas convicções inabaláveis.

Para muitos, os nossos pioneiros são os responsáveis diretos pela cisão naquela igreja. São tidos por rebeldes, juntamente com os dezoito irmãos que de lá saíram. O grupo de "rebeldes" cresceu e tornou-se a maior denominação evangélica do país.

Nenhum líder assembleiano, cuja história da chegada e fundação da igreja no Estado ou região está ligada aos acontecimentos em Belém, pode bater no peito e dizer que sua igreja não surgiu de divisão. Se escapar de Belém, acaba não escapando da Reforma Protestante.

Na América do Norte, a Assembleia de Deus tem origem em movimentos separatistas raciais, que se originaram na Igreja de Deus devido às pressões de movimentos sociais que apoiavam a separação entre negros e brancos. Alguns pastores brancos, por volta de 1913, saíram da Igreja de Deus para criarem dessa forma a Assembleia de Deus. Este lamentável episódio foi reparado numa reunião por ocasião do centenário do Movimento Pentecostal, onde os pastores da Assembleia de Deus nos Estados Unidos, simbolicamente, numa cerimônia de lava pés, pediram perdão dos atos passados.

Sobre a Igreja Filadélfia de Estocolmo, responsável pelo envio de muitos missionários para o Brasil, inclusive Joel Carlson (um dos pioneiros da AD em Pernambuco), num recente artigo do Jornal Mensageiro da Paz (Órgão Oficial das Assembleias de Deus no Brasil), número 1.492, setembro de 2009, p. 27, assinado pelo pastor Isael Araújo, nos é informado que:

"Em 1907 o despertamento pentecostal alcançou crentes metodistas e batistas em Estocolmo, a capital sueca. em 1909, mediante a situação em que muitos crentes batistas estavam se afastando de suas igrejas por aceitarem o batismo com o Espírito Santo, o comerciante batista Albert Engzell mobiliou um salão em sua residência, na Rua Uppsala 11, em Estocolmo, para servir como local de pregação. O grupo de crentes que começou a se reunir nesse local, chamado salão filadéfia, organizou-se, em 1910, como Sétima Igreja Batista de Estocolmo, tendo como pregador E. W. Olsson, da Escola Missionária de Örebro, que era totalmente a favor do despertamento pentecostal. E. W. Olsson, pouco tempo depois, desejou regressar a Örebro, a fim de dar prosseguimento a seus estudos. Assim, a igreja, que contava com 70 membros, considerou a necessidade de um pregador cheio do poder de Deus e com seriedade para continuar o trabalho. A escolha recaiu sobre Lewi Pethrus, que ainda servia como pregador na Igreja Batista de Lidköping. ele recebeu o convite em 14 de setembro de 1910, e assumiu o trabalho da igreja no ano seguinte, em 8 de janeiro de 1911, aos 26 anos de idade. No fim de 1913, a Convenção Batista Sueca expulsou ostensivamente Pethrus e toda a sua congregação, porque eles praticavam a ceia aberta. As reais causas de sua expulsão, porém, foram a teologia e a liturgia pentecostal. Surge então, a Filadefiakirkan (Igreja Filadelfia)."

Lendo o texto acima, percebemos que assim como aconteceu no Brasil com as Assembleias de Deus, a Igreja Filadélfia (que enviou o missionário Joel Carlson) nasceu dos problemas surgidos pela aceitação da mensagem pentecostal por parte de crentes e igrejas batistas, que culminaram com a sua expulsão.

Milhares de irmãos, das mais diversas denominações ou Convenções no Brasil, são chamados de rebeldes, tratados com indiferença, vistos como "leprosos e impuros", "crentes de segunda , terceira, quarta... categoria", por congregarem em igrejas que surgiram da opressão e da arrogância de líderes inchados, sectários, pretensiosos, vaidosos e pedantes, que não respeitam o próximo, não sabem conviver com diferenças de opiniões, que não conversam e discutem, que tentam impor a força os seus caprichos ou pontos de vistas. A postura desses líderes, não apenas gera divisão, mas fomenta, alimenta e perpetua as já existentes.

Da próxima vez que falarmos de "divisão", em vez de acusações irônicas e iradas, sejamos mais prudentes e cuidadosos. Deus pode estar diretamente envolvido neste negócio! Em vez de perder tempo e energia com isto, continue pregando o evangelho e cuidando com temor e respeito de suas ovelhas.

Quem sabe, fazendo assim, não evitamos uma nova "divisão"?

Os pastores e seus deveres

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. Atos 20.28

Nenhuma igreja poderá funcionar sem dirigentes para dela cuidar. Logo, conforme Atos 14.23, congregação local, cheia do Espírito, buscando a direção de Deus em oração e jejum, elegiam certos irmãos para o cargo de presbítero ou bispo de acordo com as qualificações espirituais estabelecidas pelo Espírito Santo em 1 Tm 3.1-7. Na realidade é o Espírito que constitui o dirigente da igreja. O discurso de Paulo diante dos presbíteros de Éfeso (20.17-35) é um trecho básico quanto a princípios bíblicos sobre o exercício do ministério de pastor de uma igreja local.

Propagando a fé
“Um dos deveres principais do dirigente é alimentar as ovelhas mediante o ensino da Palavra de Deus. Ele deve ter sempre em mente que o rebanho que lhe foi entregue é a congregação de Deus, que ele comprou para si com o sangue precioso do seu Filho amado” (cf. 20.26; 1 Co 6.20; 1 Pe 1.18,19; Ap 5.9).

Em 20.19-27, Paulo descreve de que maneira serviu como pastor da igreja em Éfeso; tornou patente toda a vontade de Deus, advertindo e ensinando fielmente os cristãos efésios (20.27). Daí, ele poder exclamar: “estou limpo do sangue de todos” (20.26). Os pastores de nossos dias também devem instruir suas igrejas em todo o desígnio de Deus. Que “pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2) e nunca ministrar para agradar os ouvintes, dizendo apenas aquilo que estes desejam ouvir (2 Tm 4.3).

Guardando a fé
Além de alimentar o rebanho de Deus, o verdadeiro pastor deve diligentemente resguardá-lo de seus inimigos. Paulo sabe que no futuro Satanás levantará falsos mestres dentro da própria igreja, e, também, falsários vindos de fora, infiltrar-se-ão e atingirão o rebanho com doutrinas antibíblicas, conceitos mundanos e idéias pagãs e humanistas. Os ensinos e a influência destes dois tipos de elementos arruinarão a fé bíblica do povo e Deus. Paulo os chama de lobos cruéis, indicando que são fortes, difíceis de subjugar, insaciáveis e perigosos. Tais indivíduos desviarão as pessoas dos ensinos de Cristo e as atrairão a si mesmos e ao seu evangelho distorcido. O apelo veemente de Paulo (20.28-31) impõe uma solene obrigação sobre todos os obreiros da igreja, no sentido de defendê-la e opor-se aos que distorcem a revelação original e fundamental da fé, segundo o NT.

A igreja verdadeira consiste somente daqueles que, pela graça de Deus e pela comunhão do Espírito Santo, são fiéis ao Senhor Jesus Cristo e à Palavra de Deus. Por isso, é de grande importância na preservação da pureza da igreja de Deus que os seus pastores mantenham a disciplina corretiva com amor (Ef 4.15), e reprovem com firmeza (2 Tm 4.1-4; Tt 1.9-11) quem na igreja fale coisas perversas contrárias à Palavra de Deus e ao testemunho apostólico (20.30).

Líderes eclesiásticos, pastores de igrejas locais e dirigentes administrativos da obra devem lembrar-se de que o Senhor Jesus os têm como responsáveis pelo sangue de todos os que estão sob seus cuidados (20.26-17, cf. Ez 3.20,21). Se o dirigente deixar de ensinar e pôr em prática todo o conselho de Deus para a igreja (20.27), principalmente quanto à vigilância sobre o rebanho (20.28), não estará “limpo do sangue de todos”. Deus o terá por culpado do sangue dos que se perderem, por ter ele deixado de proteger o rebanho contra os falsificadores da Palavra.

É altamente importante que os responsáveis pela direção da igreja mantenham a ordem quanto a assuntos teológicos doutrinários e morais na mesma. A pureza da doutrina bíblica e de vida cristã deve ser zelosamente mantida nas faculdades evangélicas, institutos bíblicos, seminários, editoras e demais segmentos administrativos da igreja (2 Tm 1.13,14).

A questão principal aqui é nossa atitude para com as Escrituras divinamente inspiradas, que Paulo chama a “palavra da sua graça” (20.32). Falsos mestres, pastores e líderes tentarão enfraquecer a autoridade da Bíblia através de seus ensinos corrompidos e princípios antibíblicos. Ao rejeitarem a autoridade absoluta da Palavra de Deus, negam que a Bíblia é verdadeira e fidedigna em tudo que ela ensina (20.28-31) (ver 1 Tm 4.1; 2 Tm 3.8). A bem da igreja de Deus, tais pessoas devem ser excluídas da comunhão (2 Jo 9-11).

A igreja que perde o zelo ardente do Espírito Santo pela sua pureza (20.18-35), que se recusa a formar posição firme em prol da verdade e que se omite em disciplinar os que minam a autoridade da Palavra de Deus, logo deixará de existir como igreja neotestamentária”.

DE VOLTA À BÍBLIA

Quando o apóstolo Paulo chegou a Mileto, enviou um recado aos anciãos de Éfeso para que se encontrassem com ele, pois queria falar-lhes. O texto de Atos 20.17-38 revela vários aspectos do caráter de Paulo e algumas de suas prioridades ministeriais. O texto também fala de sua humildade, suas lágrimas e tentações na pregação do evangelho. Paulo relata aos líderes de Éfeso que, nas suas viagens, ele nunca sabe o que vai lhe acontecer, senão aquilo que o Espírito Santo lhe revela, de cidade em cidade, dizendo que lhe esperam prisões e sofrimentos (v. 23). Assim, pode-se perceber que não existe na vida do apóstolo a preocupação com o conforto, a busca do luxo ou de reconhecimento. Ele nem mesmo considera a sua vida importante. Para ele, o mais importante é cumprir a sua carreira e dar testemunho do evangelho (v.24). Por isso, Paulo nunca deixou de anunciar-lhes toda a vontade de Deus (v.27). Em seguida, Paulo faz uma séria advertência: "Sei, que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, por três anos, jamais cessei de advertir a cada um de vocês, noite e dia, com lágrimas" (Atos 20.29-31). Por um lado, vejo hoje o crescimento das seitas e a infiltração de heresias no seio da igreja evangélica com muita tristeza. Por outro lado, sou obrigado a reconhecer de que se trata de um cumprimento profético. A Bíblia diz que isso iria acontecer. Ao escrever à Timóteo, Paulo declara: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios" (1Timóteo 4:1). Na Segunda vez que escreveu a Timóteo, o apóstolo volta ao assunto. Mesmo sabendo que sua morte estava próxima, a preocupação de Paulo ainda é com a sã doutrina. Observe suas palavras: "Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (2Timóteo 4.1-4). Paulo não diz à Timóteo: pregue sonhos, visões, revelações ou experiências. Embora haja espaço para tudo isso na vida espiritual, a ênfase do apóstolo é na Palavra de Deus. Não foi apenas Paulo quem se preocupou com a sã doutrina. O apóstolo Pedro também tratou do assunto na sua segunda carta, ao escrever: "Mas surgiram também profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos destes homens, e por causa deles, será difamado o caminho da verdade" (2Pedro 2.1-2). Talvez esteja aqui a resposta que muitos me têm feito ao redor do Brasil. Por que os movimentos religiosos controvertidos e as igrejas evangélicas que abrem suas portas para ventos de doutrinas crescem tanto? A resposta é: por que é bíblico. A Bíblia disse que muitos seguiriam os seus falsos ensinos. Muitos hoje querem dar validade bíblica a um movimento por causa do seu crescimento. Ora, o crescimento numérico não é um critério válido para definir se algo é de Deus ou não. Se assim fosse, como ficaria o dilúvio, quando a maioria estava fora da arca e apenas uma minoria dentro dela? Se a quantidade fosse um critério válido, teríamos então que admitir que o Islamismo é a única verdade de Deus na terra, pois não há grupo maior ou que cresce mais. O argumento da quantidade é muito usado pelos líderes do G-12. Ora, se juntássemos todas as igrejas do G-12, o movimento não seria maior do que a Igreja Mórmon. Logo, quantidade não pode ser a evidência de que Deus esteja aprovando algum movimento. Como é bom constatar que os líderes de Éfeso levaram a sério as palavras de Paulo em Mileto. Quando lemos a carta à Igreja de Éfeso, no Apocalipse, vamos encontrar a seguinte declaração do Senhor: "Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por cauda do meu nome e não tem desfalecido" (Apocalipse 2.2, 3). Diante dos textos mencionados aqui e ao olhar o cenário evangélico brasileiro hoje, nada se torna mais importante para igreja evangélica do que uma volta à Palavra de Deus. A Igreja no Brasil precisa, urgentemente, de voltar a pregar o evangelho da salvação e não da solução. A enfatizar os tesouros eternos e não o sucesso presente. Lamentavelmente, há igrejas hoje mais interessadas em fabricar milionários do que transformar pecadores em santos. Infelizmente, em muitos púlpitos evangélicos, Satanás já levou a melhor. Que Deus tenha misericórdia de nós!

sábado, 6 de novembro de 2010

Uma Repreensão Severa (Aos Pastores)

Você está realmente anunciando "todo o conselho de Deus", ou apenas dizendo palavras aprazíveis em sermões edulcorados e baseados no tema "sinta-se bem consigo mesmo" para conseguir construir sua mega-igreja?



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O problema não é recente; existe desde o surgimento da igreja. Porém, nestes últimos dias, cego guiando outro cego (Mateus 15:14) tornou-se uma pandemia e de grande influência para a apostasia espiritual no meio cristão. O apóstolo Paulo identificou essa triste realidade e fez a seguinte declaração:

"E espero no Senhor Jesus que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios. Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado; porque todos uscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus." [Filipenses 2:19-21]

Quem eram esses "todos os outros" a quem Paulo se referia? Ambos, ele e Timóteo, eram ministros do evangelho - pastores espirituais, de quem se esperava interesse pelo bem-estar dos crentes. Igualmente, é claro que pelo menos alguns dos "outros" eram ministros declarados. Um deles - Demas - era um colaborador de Paulo (Filemom 1:24; Colossenses 4:14), porém mais tarde o desamparou, "amando o presente século" (2 Timóteo 4:10).

Para pôr as coisas no contexto, Paulo disse isto se referindo aos crentes que estavam com ele em Roma:

"E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho." [Filipenses 1:14-17]

Alguns dentre os que pregavam o faziam por boas razões, porém outros não. O triste era que somente Timóteo, mais ninguém, estava em condições de ajudar Paulo a administrar as necessidades em Filipos. Epafrodito, amigo e companheiro de Paulo (verso 25), foi enviado juntamente com Timóteo, de modo que não creio que ele estivesse incluído na declaração sobre aqueles que buscavam seus próprios interesses.

Seu pastor realmente tem cuidado das ovelhas? Ou você admite que, mesmo tendo ele (ou "ela" em muitos casos hoje) muitas qualidades, no fundo você tem a impressão que existe um interesse de cconstruir um império? Bem, se esse é o seu caso, você não está sozinho! A mega-igreja é, incontestavelmente, a moda hoje em dia e muitos pastores auxiliares são empregados para cuidar das ovelhas - porque o "pastor titular" não conseguiria sozinho fazer isso. Meus amigos, cães-pastores não são pastores! (Calma - não estou chamando eles de cães - estou apenas fazendo uma ilustração). Em algum momento as congregações perderam de vista o fato de que pastorear pessoas e arrebanhá-las são duas coisas diferentes.

Minha segunda pergunta é esta: Você está realmente sendo instruído em "todo o conselho de Deus" (Atos 20:27), ou apenas tendo seus ouvidos coçados?

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências." [2 Timóteo 4:3; ênfase minha]

A natureza humana ama o entretenimento e a satisfação. E muitos indivíduos que possuem carisma podem ler as Páginas Amarelas e mesmo assim cativar as pessoas. Acrescente uma música cuidadosamente selecionada para mexer com as emoções, misturando ritmos conhecidos com uma mensagem superficial - e eis ai um combinação poderosa! Adolf Hitler não declarava ser ministro do evangelho, mas usou táticas similares para garantir a aceitação da maior parte da população cristã da Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial. Portanto, se você acha que não pode ser enganado e iludido nesse aspecto, a história mostra o contrário!

Os pregadores estão usando sermões (se é que podem ser chamados de sermões) para tocar nas emoções humanas e encantar as multidões. Paz, amor e uma sensação de pertencer são necessidades básicas arraigadas na alma humana. E muitos indivíduos sem escrúpulos estão explorando essas necessidades a fim de manipular as massas. Se você duvida dessa afirmação, basta observar cuidadosamente o conteúdo dos noticiários da TV quando eles, por alguma razão, mostram multidões nas igrejas como parte de sua programação. Quase sem exceção eles mostram pessoas em situações próximas a um transe, gingando o corpo de acordo com a música e "erguendo as mãos santas em adoração". Essas multidões encontram-se emocionalmente energizadas por um pacote de sermão e música cuidadosamente preparados para alcançar um resultado esperado. O efeito é persuasivo, pois as pessoas querem mais e mais dessa sensação e sentem um vazio quando não recebem sua carga emocional semanal.

E falando nisso, vem à minha mente a seguinte passagem:

"Que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos." [Isaías 30:10, ênfase minha]

Permitam-me apresentar uma situação hipotética para ilustrar o que quero dizer. O que aconteceria se um general usasse esse tipo de retórica agradável aos ouvidos ao discursar para suas tropas antes de enviá-las à batalha? Você acredita que um sentimento de "entusiasmo e tranqüilidade" manteria os ânimos dos soldados equilibrados quando eles observarem os horrores da guerra? A realidade é muitas vezes desagradável, porém sempre necessária aos crentes, pois devemos enfrentar as batalhas espirituais do cotidiano. E a pregação que deixa de "reprovar, repreender e exortar" (2 Timóteo 4:2) por que o pastor está ocupado demais fazendo com que as pessoas se sintam bem consigo mesmas é perigosa. Quando o Diabo anda em derredor, buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5:8) e está prestes a derrubar a porta - então, meus amigos, não é tempo para dizer palavras aprazíveis aos ouvidos!

Um pregador que deixa de "quebrar alguns ovos" regularmente, por que tem o objetivo de ser popular, não está qualificado para o ministério. Se ele fizer seu trabalho corretamente, não será popular para a maioria dos perdidos que lotam as igrejas hoje. Assim, a tentação óbvia é manter um perfil discreto e dar o que eles pedem, esperando que voltem no próximo domingo. Então, se você é realmente bom nesse tipo de contemporização, os amigos deles se juntarão a eles e, brevemente, você será bem famoso. Mas clubes sociais construídos sobre o nome de Jesus Cristo não são a igreja do Novo Testamento.

Como mencionei em artigos anteriores, o objetivo da adoração é reconhecer o infinito valor de Deus e direcionar nossa oração e louvor a Ele. Tudo gira em torno de dar e não receber, mas, de alguma forma, esse princípio foi invertido com o passar dos anos. De forma que agora muitos vêem a igreja como um posto de abastecimento espiritual onde eles enchem o tanque para mais uma semana. Eles sentem-se totalmente desapontados se a "diversão" não corresponder às suas expectativas. Sermões doutrinários tornaram-se tão raros quanto tigres dente-de-sabre, porque todos sabem que a doutrina bíblica divide as pessoas. Pregue-a, enfatize-a e brevemente você terá de fazer as reuniões na sala de estar da casa do pastor, pois a multidão desaparecerá. Mas pergunto - isso é algo ruim? Falo por mim mesmo, pois prefiro ter a oportunidade de pastorear um pequeno grupo de crentes genuínos do que dez mil dissimuladores!

A ordem do Senhor aos discípulos para a evangelização, é "Ide..." (Mateus 28:19; Lucas 16:15), e não diz aos perdidos "Vinde"! Você já parou para pensar nisso? Não há nenhum ensinamento no Novo Testamento que diga que devamos convidar os incrédulos para virem às nossas igrejas "para que possam experimentar a vibração do Evangelho". Sinceramente, você convidaria o Diabo para sentar-se ao seu lado na igreja? Sei que serei criticado por dizer isso, mas é basicamente o que você faz quando convence um dos filhos do Diabo a fazer uma visita. Além disso, a ecclesia, ou "igreja", sendo um ajuntamento de crentes cheios do Espírito Santo, esse incrédulo se sentirá totalmente deslocado. E, se eles não se sentirem constrangidos, a igreja está em falta! A apostasia explosiva que está acontecendo atualmente é prova inegável de que esse costume tem contribuído grandemente para a proliferação do joio no meio do trigo. Métodos mundanos e boas intenções permitiram que esses indivíduos não somente sintam-se à vontade, mas totalmente acomodados à situação! Então eles acabam tornando-se membros e, como as ervas daninhas, sufocam a vida espiritual da igreja.

O que devemos fazer é ir até os perdidos e dar-lhes a mensagem do evangelho. Então, receber em nosso meio todos que responderem e mostrarem evidências de que nasceram de novo; ajudá-los a crescer na graça e no conhecimento de Cristo. Isso envolve evangelismo em nível pessoal. Devido à falta de comprometimento e indolência, tornou-se mais fácil "deixar o pregador fazer o serviço". Basta convidar os incrédulos para virem à igreja, onde o pregador poderá completar o trabalho para que eles sejam salvos. Adicione à mistura pregadores exaltados, que aplicam pressão psicológica, e bingo! O Diabo tem uma brecha para entrar e acumular mais joio.

Aparente zelo de Deus, mas sem entendimento (Romanos 10:2 - onde a palavra grega para entendimento é epignosis, denotando discernimento completo) é, infelizmente, característico da maioria dos ministros hoje. A fixação em números para melhorar a imagem de êxito espiritual é a regra e não a exceção. Todo truque conhecido no mundo da propaganda está sendo usado (e muito eficazmente) para "construir ministérios". Porém, esses ministérios são realmente igrejas, de acordo com a acepção do Novo Testamento? Eles equipam os crentes para viverem por Jesus Cristo em um mundo hostil e a enfrentarem a perseguição peculiar à vida cristã? Ou será que não precisamos reconhecer que a grande maioria está sendo conduzida por flautistas de Hamelin cujo principal interesse é que as pessoas voltem no domingo seguinte?

Nenhum pastor que realmente ama suas ovelhas quer vê-las sem direção. Porém, se ele deixar de "reprovar, repreender e exortar com toda longanimidade e doutrina", em um esforço para evitar ser desagradável - ele as estará prejudicando terrivelmente! A pregação da Palavra de Deus envolve um elemento de disciplina e quando "facilidades" são admitidas, o resultado inevitável é a anemia espiritual entre os adoradores e apostasia entre os meros admiradores.

Portanto, se você olhar ao redor no próximo domingo e perceber que está no meio de uma grande congregação que gravita em torno da personalidade de um pastor que prega mensagens baseadas no tema "sinta-se bem consigo mesmo", meu conselho é: saia enquanto pode!

"Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei." [2 Coríntios 6:17]

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PERIPÉCIAS EXEGÉTICAS DE RENÊ TERRA NOVA

Mais peripécias exegéticas do apóstolo Renê Terra Nova, ensinando a interpretar "serristicamente" a Bíblia, conforme noticia o jornal Valor Econômico, em matéria reproduzida no site do Instituto Humanistas da Unisinos, numa demonstração inequívoca de que esta gente abdicou completamente da teologia para se entregar de corpo e alma à ideologia que lhe for mais conveniente.

Nos cultos, vale até trocar monte por serra

"Explique porque Serra, mas explique também porque não o outro lado (...) 'Ah, pastor, eu não sei como fazer'. Sabe sim, porque sabe tirar dízimos e ofertas".

A frase do apóstolo Renê Terra Nova mostra até que ponto vai seu empenho em conquistar votos para o tucano José Serra.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2010.

Diante de mais de 100 pastores, Terra Nova ensinou como fazer campanha do púlpito, sem ser enquadrado na legislação eleitoral.

"É proibido na hora do culto. Você sabia disso. Pode ser enquadrado em crime eleitoral pelo TRE. Mas você pode fazer o que eu faço na igreja", disse, ao iniciar a reunião estratégica em que deu dicas de como transmitir mensagens subliminares aos fiéis.

Terra Nova explicou que eles poderiam, por exemplo, mencionar uma passagem da Bíblia que remetesse ao número de José Serra. "Eu digo, olha, irmãos, eu vou ler Isaías [capítulo] 45 e eu descobri um versículo que fala sobre serra", orientava.

Sem problema se a passagem em questão não se referir a uma serra propriamente dita.

"Deus diz que gosta que seus filhos estejam num lugar alto e subam a sua serra. O nome lá é monte. Mas eu ponho o nome que eu quero (risos na plateia). A tradução é minha. A hermenêutica é da Bíblia, mas a exegese é minha", disse.

Terra Nova recomendou aos pastores que eles poderiam fazer como ele, que citou num culto a realização de um congresso da Visão Celular na cidade de Serra, no Espírito Santo.

"Eu estou blefando? É mentira que Serra fica no Espírito Santo? E eu digo que, no próximo ano, o congresso será em Serra, e que de Vitória (olha a vitória, olha a vitória, olha a vitória...) para Serra... 45 quilômetros, 45 Serra, 45 Vitória. Eu quero ver o TRE me julgar por isso. Não julga, não", disse.

Serra fica no Espírito Santo. Mas, pelo Google Map, a distância para Vitória é de 28 quilômetros.

Renê Terra Nova ressaltou que os pastores deveriam abusar da internet, mas sem vulgaridade, com informações verdadeiras. Em seguida, porém, apontou como fato mensagem que circulou pela internet segundo a qual Dilma Rousseff não poderia entrar nos Estados Unidos e mais 11 países.

Nos cultos, a recomendação foi de agir com inteligência. Terra Nova contou que não "é confortável" ser chamado pela Polícia Federal, como ocorreu com ele, três vezes este ano, para responder a inquérito por "problema político".

domingo, 31 de outubro de 2010

OS FRUTOS DO G-12 (M-12)

De uns tempos para cá algumas igrejas (Assembléias de Deus, Batistas, etc.) resolveram adotar a chamada “visão celular”. Umas assumem sem problemas que fazem parte do Movimento G-12. Outras, consideram-se igrejas em células, mas rejeitam o rótulo “G-12” e não seguem necessariamente a mística associada ao número doze (doze apóstolos, doze tribos, etc.). Algumas adotam grupos celulares de dez, quatorze ou até quinze membros.

O certo é que a “visão celular”, em geral, vem sendo apresentada, sem nenhuma modéstia, como o mais eficaz meio de conquistar almas perdidas. Os seus defensores afirmam que imitam a igreja primitiva e que estão colhendo muitos frutos... Para eles, essa estratégia é uma revolução, uma quebra de paradigmas e, ao mesmo tempo, um retorno aos princípios da igreja de Atos dos Apóstolos. Não se trata, pois, de mais um programa; é o programa da igreja.

Alguns líderes de igrejas em células têm afirmado que não seguem a padrões éticos, dogmáticos, eclesiásticos de pessoas maduras na fé, experientes ou tradicionalmente respeitáveis. Preferem valorizar as “ministrações específicas” em sigilosos pré-encontros, encontros, pós-encontros, etc. Ninguém está autorizado a descrever o que acontece nessas “tremendas” reuniões secretas...

As igrejas em células têm os seus próprios cursos e conteúdos pedagógicos. Não investem na Escola Bíblica Dominical; consideram-na ultrapassada, uma instituição falida. Dizem, sem nenhuma cerimônia, que as igrejas tradicionais ou conservadoras seguem a padrões arcaicos e “comem pão amanhecido, seco e duro”. Desprezam e reprovam a liturgia tradicional das igrejas que não seguem ao “modelo celular”.

Na prática, embora não admitam, os propagadores dessa “visão” têm oferecido aos crentes vários atrativos do mundo, mas dentro de um contexto “evangélico”. Sua estratégia principal é a “contextualização”. Tudo é feito para agradar as pessoas, uma vez que o objetivo é o crescimento numérico, e não a formação de crentes segundo a Palavra de Deus. Prevalecem doutrinas triunfalistas, como a confissão positiva, a maldição hereditária e a teologia da prosperidade.

Tudo gira em torno das células, reuniões realizadas somente em casas de pessoas evangélicas. Há cultos no templo, mas nenhuma reunião é mais importante que as células, definidas como “a essência da vida da igreja”. Nessas reuniões, ocorre a chamada “oração profética”, recheada com palavras de ordem ao Diabo: “ordenamos”, “quebramos”, “maniatamos”, etc. Há também espaço para manifestações estranhas, como o “cair no poder” — até as crianças caem.

A liturgia das igrejas em células é baseada no princípio “Pregue o evangelho da maneira como as pessoas querem ouvi-lo, e não da forma como precisam ouvi-lo”. A ordem é não se prender a regras ou princípios. Empregam-se, nos chamados cultos: danças, coreografias e apresentações teatrais, principalmente como atrativos para a juventude.

Nessa nova modalidade de culto, os participantes batem os pés e gesticulam à vontade, sem restrições, além de marcharem. A ênfase recai sobre as músicas, as danças, as coreografias, etc. Não há lugar para hinários tradicionais, como Harpa Cristã, Cantor Cristão, etc. Dizem que cantar hinos ultrapassados é idolatria. Tais hinos, segundo eles, parecem ter sido compostos para um funeral.

Em algumas igrejas, empregam-se, nos chamados cultos: excesso de aplauso e de brados “de vitória”, faixas, cartazes, balões, bandeirinhas, lenços... As palavras de ordem são: exagerar e extrapolar. “Sentiu vontade de fazer?” — dizem. — “Faça! Se parecer exagero, execute! O Senhor não está interessado se o adoramos de ponta-cabeça, sentados, em pé, deitados, chorando, sorrindo, cantando, falando, gemendo, gritando e até gesticulando o corpo”.

Infelizmente, por influência dessas igrejas celulares, alguns sintomas são verificados na igreja brasileira.

Eis os frutos do G-12:

1. Os “cultos” não são mais reuniões para adorarmos a Deus, e sim para recebermos bênçãos. Tudo gira em torno dos interesses do povo; os “cultos” são voltados para as pessoas, e não para o louvor do Senhor Jesus Cristo.
2. A exposição da Palavra de Deus não é mais o principal momento de um “culto”. Afinal, para muitos crentes, Deus fala de várias outras maneiras.
3. Praticamente não existe mais o louvor meditativo, em espírito, pois a cada dia os “cultos” se assemelham aos shows mundanos (desculpem-me da redundância, pois todos os shows, por definição, são mundanos).
4. Muitos crentes de hoje consideram normal a realização de shows, por meio dos quais artistas se apresentam para um público que reage com histeria. Cantores e pregadores são mais populares do que Jesus Cristo...
5. Não há mais espaço para a evangelização, de fato. As igrejas se limitam a sair em praça pública para dançar, gritar, pular e “determinar” que o Brasil é do Senhor Jesus!
6. As letras das canções (canções, mesmo, pois não são hinos de louvor a Deus) só enfatizam os “sonhos de Deus” e mensagens de auto-ajuda. A cada dia, desaparecem os hinos de adoração a Deus e os que falam da obra de Cristo.
7. A falta de temor a Deus nos “cultos” é facilmente percebida em razão das atitudes extravagantes dos crentes.
8. A Palavra de Deus não é respeitada, e quem a defende é taxado de retrógrado, biblista rígido, quadrado, ultra-conservador, etc.
9. Não há mais espaço para a renúncia e a santificação. Os crentes se consideram todo-poderosos.
10. Líderes fracassam moralmente, sendo condenados pela Justiça, mas os crentes não se sentem envergonhados; antes, se dizem perseguidos pelo mundo. Afinal, os crentes também compram CD's e DVD's piratas, possuem gatonet em casa... Para que se importar com os desvios de seus líderes?

Lembremo-nos das palavras do Sumo Pastor, registradas em Mateus 7.15,16: “Acautelai-vos... Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?”

Respeitosamente,

Ciro Sanches Zibordi

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NÃO QUERO SER APÓSTOLO

Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: “Você já é apóstolo?” O outro teria respondido: “Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semi-deus”. Apóstolo agora está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente este título cabe a mim”. Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um “arcanjo”.

Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que não eu teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.

Admito que os apóstolos constam entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Mas, resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos profetas, nem todos mestres ou operadores de milagres, como consta na epístola aos Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro.

Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete “apóstolo” ou “apostolado”. Usemos a Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã, das Edições Vida Nova: “O uso bíblico do termo “apóstolo” é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em Português, é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão – a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este”.

Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus, também receberam esse título. O número de apóstolos parecia fixo, porque fazia um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se referia a apenas doze tronos na era vindoura (Mateus 19.28; cf Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (Atos12.2). As exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado, com o passar do tempo, não podiam mais se cumprir: “É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição” (Atos 2.21-22).

Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de I Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros e não a novos apóstolo.

Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em I Coríntios 15.9, ele afirmou que foi testemunha da ressurreição (vira o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhecia que era um abortivo (nascido fora de tempo). “Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.

O que preocupa nos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Tem a ver com a nossa natureza que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que fez do sucesso uma filosofia ministerial. Há uma corrida frenética acontecendo nas igrejas de quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar enormes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.

Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido desapercebida de Paulo, Pedro, Tiago ou Judas. Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos mega eventos, do culto espetáculo e da vã-glória da fama. Não quero ser apóstolo, porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem estatus. Aliás, estou disposto, inclusive a abrir mão de ser chamado, pastor, se isso representar uma graduação e não uma vocação ao serviço.

Não desdenho as pessoas, sinto apenas um enorme pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos a ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais, aceitam os aplausos que vêm dos homens e se esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré.

Ele nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um “Bom Mestre”, rejeitou a interpelação: “Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10.17-18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal estar causado, para ensinar: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20.25-28).

Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para termos ministérios bem sucedidos, mas para continuarmos o ministério de Jesus, amigo dos pecadores, compassivo com os pobres e identificado com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos graus das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel à todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.

Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter mega igrejas, busquem ser achados despenseiros fieis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, busquem manejar bem a palavra da verdade; aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fieis e idôneos que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas, preguem a mensagem do Calvário.

Lembre-se “O orgulho transformou anjos em demônios”. Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: “Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (2.5-8).

Por: Pr Vanderlei Mello