sábado, 7 de agosto de 2010

A “nova unção” do patriarca Terra Nova

Recentemente foram postados várias notícias sobre a ”unção de patriarca”, concedida ao Apóstolo Rene Terra Nova pelo seu ministério em Manaus. Também faço parte de um ministério apostólico, e creio que tenho uma responsabilidade com a minha igreja, assim como com o movimento apostólico, de expressar minha opinião quanto ao ocorrido. Não concordo com esta unção, não acredito nela, e vejo que ela trará mais confusão sobre o mover apostólico em todo o Brasil. Uma vez que está se resgatando conceitos e valores que hoje já não dizem nada para o cristianismo e para Cristo. Há algum tempo atrás um amigo me falou sobre o conceito do patriarcado que estava se levantando na América Central, inclusive observando o princípio do casamento poligâmico, principalmente em igrejas de cunho messiânico ou de práticas judaizantes.
Diante disso, sei que muitos se valerão do chavão evangélico: ”Não toque no ungido de Deus”. A frase ”Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido usada e abusada fora de seu contexto para os mais variados fins. Maus obreiros e falsos profetas se valem dela para ameaçar seus críticos; e até líderes evangélicos mal-orientados usam-na para defender certos ”ungidos”. Outros ainda a empregam para reforçar a idéia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas. Será?
Quando examinamos o contexto da frase acima, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Quando Paulo andou na terra, havia muitos ”ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). E Paulo jamais se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23). Por isso, afirmou: ”E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6).
Aparência, popularidade, eloquência, títulos, status, anos de ministério… Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e que está imune à contestação a luz da Palavra de Deus.
Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no ”desviado” rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.
Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente ou condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11).
O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29). O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, até porque o sentido de ”toqueis” e ”maltrateis” é exclusivamente quanto ao dano físico.
Infelizmente, muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás do bordão em análise e cometem todo tipo de heresia, egocentrismo ou mesmo pecado. Devem recorrer a outro texto de máxima importância que diz: ”Não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4.6). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda. Patriarcado está longe de ser uma unção, mas apenas uma invenção como forma de promover um ”nível” mais elevado de domínio. é necessário que a Igreja Evangélica deixe para trás as coisas de meninos, e se preocupem com as coisas de Deus. A Ele toda a Glória.

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