quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Os Desigrejados





Augustus Nicodemus

Para mim resta pouca dúvida de que a igreja institucional e organizada está hoje no centro de acirradas discussões em praticamente todos os quartéis da cristandade, e mesmo fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neopentecostais, a institucionalização e secularização das denominações históricas, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento de igrejas, de sucesso pastoral, os escândalos ocorridos nas igrejas, a falta de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isto tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada. Alguns simplesmente abandonaram a igreja e a fé. Mas, outros, querem abandonar apenas a igreja e manter a fé. Querem ser cristãos, mas sem a igreja.
Muitos destes estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma. Todavia, existem aqueles que, além de não mais frequentarem a igreja, tomaram esta bandeira e passaram a defender abertamente o fracasso total da igreja organizada, a necessidade de um cristianismo sem igreja e a necessidade de sairmos da igreja para podermos encontrar Deus. Estas idéias vêm sendo veiculadas através de livros, palestras e da mídia. Viraram um movimento que cresce a cada dia. São os desigrejados.
Muitos livros recentes têm defendido a desigrejação do cristianismo.
Em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos.

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou trêsamigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta a noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.
Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.
Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.
Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em vôo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.
É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino.

1) Jesus disse aos discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-19). A igreja foi fundada sobre esta pedra, que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã. Não admira que os apóstolos estivessem prontos a rejeitar os livre-pensadores de sua época, que queriam dar uma outra interpretação à pessoa e obra de Cristo diferente daquela que eles receberam do próprio Cristo. As igrejas foram instruídas pelos apóstolos a rejeitar os livre-pensadores como os gnósticos e judaizantes, e libertinos desobedientes, como os seguidores de Balaão e os nicolaítas (cf. 2Jo 10; Rm 16.17; 1Co 5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3.10; Jd 4; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas Escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitados.

2) A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8). Os desigrejados querem Cristo, mas não querem sua igreja. Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.

3) Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt 18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt 18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co 5). Não entendo como isto pode ser feito numa fraternidade informal e livre que se reúne para bebericar café nas sextas à noite e discutir assuntos culturais, onde não existe a consciência de pertencemos a um corpo que se guia conforme as regras estabelecidas por Cristo.

4) Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At 6.1-6; At 14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm 31-13; Tt 1.5-9; Tg 5.14).
5) Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livre-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At 15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At 16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.
6) Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co 11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.
É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt 18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.
O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb 10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At 15.41; 16.5; veja também Rm 16.4,16; 1Co 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).
No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.
Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia Reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares.
Cristianismo sem igreja é uma outra religião, a religião individualista dos livre-pensadores, eternamente em dúvida, incapazes de levar cativos seus pensamentos à obediência de Cristo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

12 Características de uma seita





Vivemos em uma época em que o interesse por novidades crescem continuamente. O ser humano não se contenta com o que já existe e sente a necessidade de criar algo novo. Com isso, permeamos entre várias verdades. Religiões místicas como a Nova Era têm atraído muitas pessoas para seus falsos ensinamentos. Mas as que mais preocupam são as religiões pseudo-cristãs. Sãogrupos religiosos que aparentemente são “evangélicas”. Quem nunca ouviu alguém se confundir pensando as Testemunhas de Jeová serem crentes? O que dizer da Renovação Carismática? Afora esses segmentos, outras denominações se confundem em meio a tantas visões. Paulo já advertia ao jovem obreiro Timóteo acerca dessas falsas doutrinas e encoraja-o a rejeitar essas fábulas profanas e exercitar-se em piedade (1 Tm 4:1,2,7). Normalmente esses segmentos sectários possuem algumas características comuns entre si. A seguir, estão ordenadas pelo menos 12 características das seitas, baseadas no livro “conheça as marcas das seitas” de Dave Breese (Editora Fiel, 2001). O objetivo não é esgotar o assunto, para isso deveria ser escrito um livro, mas serão abordados exemplos práticos, a fim de uma aplicabilidade melhor.


1.     Revelações extra-bíblicas – Para os segmentos que defendem essa idéia, a Bíblia é uma parcela da revelação de Deus. É como se Ele continuasse a inspirar as pessoas de hoje para novas revelações. A Igreja da Unificação é um exemplo disso. Os escritos de seu líder, o Rev. Moon, são superiores à Bíblia em muitos aspectos e, quando não o são, complementam a revelação bíblica, como ensinam. Os adventistas do sétimo dia também levam a sério os escritos de Ellen Gold White, tendo-os por equivalente às Escrituras. César Castellanos, narra sua experiência extrabíblica acerca da revelação a colheita do século XXI em seu livro Sonhas e Ganharás o mundo. Há alguns meses, certa “pastora” indagou em defesa dessa revelação questionando se Deus não continua falando conosco. Minha resposta foi clara: o cânon bíblico já fechou. Por isso qualquer revelação extrabíblica deve ser anatematizada como disse Paulo às igrejas da Galácia (Gl 1:2,8,9). Nem mesmo o conselho de Paulo serviu a Joseph Smith, que recebendo uma revelação extrabíblica de um anjo fundou o mormonismo, ou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

2.     Falsa base de salvação – A pergunta do carcereiro “o que devo fazer para ser salvo?” em At 16:30 ilustra bem a dúvida das pessoas sobre a salvação. Os gálatas estavam enfrentando isso nos dias de Paulo. Um grupo de judeus recém-convertidos ao cristianismo pregava que a justificação era feita através da obediência à Lei, mas o Apóstolo dos Gentios combateu essa heresia (Gl 2:16,21). Os Mórmons afirmam crer no sacrifício expiatório de Jesus, mas sem o cumprimento das leis estipuladas pela igreja não haverá salvação. Outro requisito foi exposto pelo profeta Brigham Young, que disse: Nenhum homem ou mulher nesta dispensação entrará no reino celestial de Deus sem o consentimento de Joseph Smith. As Testemunhas de Jeová ensinam que a redenção de Cristo oferece apenas a oportunidade para alguém alcançar sua própria salvação por meio das obras. Jesus simplesmente abriu o caminho. O restante é com o homem. Uma de sua obras diz: Trabalhamos arduamente com o fim de obter nossa própria salvação. Os adventistas crêem que a vida eterna só será concedida aos que guardarem a lei. A guarda obrigatória do Sábado é essencial para a salvação. A Bíblia é clara, somos salvos não pelas obras, mas pela Graça, mediante a fé no sacrifício de Jesus (Ef 2:8,9).

3.     Esperança enganosa – Os católicos adicionaram para seus adeptos uma esperança que não é bíblica, o purgatório, enganando assim a esperança de seus membros. Outro exemplo são as Testemunhas de Jeová as quais crêem que não haverá céu, mas que apenas 144.000 gozarão desse privilégio, estando os demais nesta mesma terra. O que dizer dos espíritas que praticam boas obras para voltarem em melhores condições na “próxima encarnação”. Cabe ao homem morrer uma só vez, vindo após o juízo (Hb 9:27).

4.     Lideranças messiânicas presunçosas – Muitos líderes têm trazido sobre si títulos que pertencem somente a Cristo. O Rev. Moon intitulou-se “senhor do segundo advento”, a segunda vinda personalizada de Jesus. O Papa é chamado de vigário de Cristo, Supremo Pontífice e até mesmo Patriarca do Ocidente. Joseph Smith (mórmons) declarou que João Batista lhe outorgou o sacerdócio de Arão, não bastasse isso, afirmou mais tarde ter recebido das mãos de Pedro o sacerdócio de Melquisedeque. DESROCHE ensina que há um tipo de fenômeno messiânico chamado “messias pretendido”, no qual o líder não reivindica diretamente para si o título de messias. Este título é atribuído pelos seus discípulos que podem chegar a mitificar essa pessoa (DESROCHE, H. Dicionário de messianismos e milenarismos. São Bernardo do Campo: UMESP, 2000, p 32-37). O Papa João Paulo II acabou de ser beatificado há alguns dias. Mas o mais perigoso desse messianismo pretendido, não é nem o líder ser chamado de messias, mas o de ser idolatrado por seus discípulos. No M-12 o Renê Terra Nova vem ganhando títulos e mais títulos, o que dizer da unção patriarcal? Vai discordar de alguma coisa desses líderes gedozistas, seus fãs caem em cima, cuidado com a idolatria!

5.     Ambigüidades doutrinárias – Uma das mais notáveis características das seitas são as mudanças doutrinárias que sofrem. Algumas vezes optam pela dúbia posição, dizem uma coisa em público, enquanto que internamente acreditam em algo completamente distinto (diferente). Quantos padres dizem para não adorar imagens, mas no final levam o povo a pedir pela intercessão dos santos? Harold Camping, por exemplo, previu o retorno de Jesus Cristo aconteceria para 1994, tendo, inclusive, publicado um livro chamado “1994?”, que foi muito bem vendido na época; Como Jesus não voltou publicou outro, “O Retorno de Cristo acontecerá em 21 de Maio de 2011”; Na primeira edição do Manual do Encontro, havia um item na ministração da Cura Interior em que a pessoa era orientada a perdoar a Deus.

6.   Descobertas especiais – A maioria das seitas inicia-se desta premissa. O líder e fundador pensa ter redescoberto a roda. Na manhã da Páscoa de 1936, estando em profunda oração no topo de uma montanha, Jesus apareceu-lhe e, revelando o propósito e o curso de sua vida, pediu ao joven Sun Myung Moon (Igreja da Unificação) que completasse a sua missão, tornada incompleta por sua morte na cruz, realizando o Reino de Deus na Terra e trazendo a paz para a humanidade. Segundo Moon, através de extremos esforços, em um curso de 9 anos de sofrimento e perseverança, pôde entrar em contato com seu deus, e com santos e sábios no mundo espiritual, para encontrar a resposta última às profundas questões que, ao longo dos séculos, tem afligido a humanidade: Qual é a origem do homem? Qual é a finalidade de sua vida? Qual é a relação entre Deus e o homem? O que são o bem e o mal? Qual é a origem do sofrimento humano? Outro exemplo é o do MCI – Missão Carismática Internacional, liderada por César Castellanos, veja sua descoberta: “Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, escutei ao Senhor dizendo-me: Vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes, por sua vez, em outros! Quando Deus me mostrou a projeção de crescimento, maravilhei-me " (pp. 59-60 do livro SONHA e Ganharás o Mundo – grifos meus)”.

7.     Cristologia defeituosa – A Maçonaria vê Jesus simplesmente como mais um fundador de religião, ao lado de personalidades mitológicas, ocultistas ou religiosas, tais como, Orfeu, Hermes, Trimegisto, Krishna, (o deus do Hinduísmo), Maomé (profeta do Islamismo), entre outros. Se negarmos o sacrifício de Jesus Cristo e sua vida, estaremos negando também o Antigo Testamento, que o mencionava como Messias. Ou cremos integralmente na Palavra de Deus como revelação completa e, portanto, nas implicações salvíficas que há em Jesus Cristo, ou a rejeitamos integralmente. Não há meio termo. A Legião da Boa Vontade (LBV) subtrai a natureza humana de Jesus, dizendo que Jesus possui apenas um corpo aparente ou fluídico, além de negar sua divindade, dizendo que ele jamais afirmou que fosse Deus. Outros grupos também subtraem a divindade de Jesus: as Testemunha de Jeová dizem que ele é um anjo, a primeira criação de Jeová. Os Kardecistas ensinam que Jesus foi apenas um médium de Deus etc. Outra ramificação dessas heresias encontra-se na pessoa do Espírito Santo. Os TJ’s por exemplo acreditam que o Espírito não é uma pessoa e que é uma energia, o poder de Deus.

8.     Atenção bíblica segmentada – Consiste em focar não na Bíblia como um todo, mas em versículos isolados a fim de salientar suas doutrinas controvertidas. A exemplo disso, os TJ’s com seus incansáveis 144.000. A “visão” celular que enxerga 12 até onde não existe (acredita que arrumaram 12 discípulos até para Moisés?). Os Adventistas do sétimo dia para o Sábado. Os adeptos da Teologia da prosperidade que conseguem ver riqueza onde não existe.

9.     Estrutura Organizacional escravizadora – As seitas reduzem seus seguidores a uma forma de servidão espiritual e psicológica. Nessa categoria, mecanismos de pressão e submissão cega são utilizados para prender as pessoas à denominação. Muitos “pastores” dizem que se a pessoa sair de tal denominação passará por períodos de maldição fora de lá, a fim de amedrontar seus adeptos. Com isso a pessoa não sai por medo. Outros casos são o de serem excluídos socialmente quando saem de lá. No livro “M-12 o Modelo de Jesus” de Renê Terra Nova, ele compara um membro que desiste da visão ou do grupo com Judas e esse dissidente passa a ser um traidor realmente (experiência própria). O mesmo é praticado pelos TJ’s, a pessoa é tratada como um bandido. O Apóstolo Pedro diz aos anciãos (pastores): “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade” (1 Pe 5:2).

10.  Exploração financeira – O Apóstolo Pedro disse que apareceriam falsos mestres e fariam de nós negócio (2 Pe 2:1-3), isto é, aproveitariam das ovelhas e as sugariam através do comércio da fé. É um absurdo o que vemos hoje na chamada Teologia da Prosperidade. Pessoas barganham a fé descaradamente e fazem leilão dentro das igrejas. O que dizer das campanhas da IURD? O que dizer do trízimo da IMPD? São 10% para o Pai, 10% para o Filho e 10% para o Espírito Santo. Já no M-12 a moda que pegou é a oferta de primícias. Segundo o Terra Nova são 3% do seu salário. A pessoa que não dá não prospera, para mais detalhes leia o livro “Código da Honra” do referido “apóstolo”. Muitas pessoas estão é querendo ficar de asinhas abanando, querem trabalho fácil e dinheiro das custas dos outros para satisfazer suas vidas luxuosas enquanto as ovelhas estão vivendo dificuldade. É a constante visão do líder que anda com seu carro bonito e novo enquanto as ovelhas mal têm uma bicicleta. Exagero? Morris Cerullo possui uma mansão com mais de 1000 m2, uma “limusine aérea” [avião particular], um Gulstream G4, avaliada em torno de U$50 milhões de dólares, além de dois pilotos de tempo integral. Uma de suas aeromoças disse em recente depoimento que o avião tem o interior banhado a ouro. Quem quiser defender essa laia que defenda, mas não é isso que a Bíblia nos ensina.

11.  Exclusivismo religioso – É um caso típico das seitas. Sua grande maioria declara ser a única solução. As demais igrejas se apostataram e apenas essa denominação está certa. As Testemunhas de Jeová são um caso clássico. Além deles, temos os adventistas do sétimo dia, bem como a Congregação Cristã do Brasil, que chegam a rebatizar pessoas que vieram de outras denominações evangélicas. Por exemplo, se alguém sai da Batista ou da Assembléia de Deus e vai para essas denominações, seu batismo é desconsiderado e serão rebatizados. São várias as denominações que tem agido dessa forma. Até mesmo o criador do G-12, César Castellanos chegou a dizer que “A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celularNão há alternativa: a igreja celular é a igreja do século XXI” (Castellanos, César, Sonha e Ganharás o Mundo, p. 143 – grifo meu).

12.  Sincretismo religioso – A mistura do paganismo e principalmente o judaísmo são as principais formas de sincretismo religioso em meio às seitas pseudo-cristãs. Do paganismo vemos as mais variadas heresias concernentes ao fetichismo. Os objetos passam a ter certo poder, como amuletos, pulseiras, rosas ungidas, saquinho com o sopro ungido, sal grosso, água benta, até mesmo o óleo ficou banalizado. Então as pessoas transferem sua fé àquele objeto em detrimento do autor e consumador da nossa fé. O cristianismo judaizante tão combatido por Paulo é a sensação, o modismo de hoje. Muitos ministérios idolatram a terra santa, Tocar de costas para a congregação, por considerar os ministros de musica “levitas de Deus”, usam o Shofar, para liberar unção ou invocar a presença divina, guardam o sábado fazendo dele o dia do Senhor, observam TODAS as festas Judaicas, usam o Kipá e o Talit, que são as vestimentas que os judeus praticantes usam para ir a sinagoga, usam excessivamente símbolos judaicos tais como, a bandeira de Israel, o Minorah ou a Estrela de Davi dentre tantos outros mais, constroem protótipos da Arca da Aliança a fim de simbolizar entre os cristãos a presença de Deus, mudam os nomes e as nomenclaturas bíblicas judaizando tudo, a ponto de chamar Paulo de Rabino. Até mesmo no modelo dos 12 de Manaus vemos o sincretismo jadaico. Paulo afirmou: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Colossenses 2.16-17).


Para encerrar esse artigo, reitero as palavras de Paulo aos gálatas: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:8,9). Acima de qualquer modelo, acima de qualquer revelação, acima de qualquer ideologia humana, filosofia eclesiológica está a Palavra do Deus Vivo. Crente no Senhor Jesus, leia as Sagradas Escrituras, não seja enganado, “pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2 Co 11:13-15). Como disse o Senhor através do profeta Oséias, “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4:6). Seja um crente bereano, não um crítico de carteirinha que não vê nada de bom na igreja, que não está satisfeito com nada, mas alguém que examina a Palavra com avidez, que a preza, que a guarda e que a pratica. Se você é um pastor, incentive sua igreja a essa prática, para que não pereçam pelo conhecimento, não faça cara feia se sua ovelha perguntar acerca da pregação, seja humilde para admitir seus erros, não é porque somos pastores que não podemos errar, somos falhos, humanos. Mas podemos ser humildes e reconhecermos falhas, que história é essa que pastor não pode pedir perdão? Seja humilde e o Senhor vai exaltá-lo. Caso esteja ensinando heresias, volte ao ensino da sã doutrina e abandone as práticas heréticas. Se esfriou no primeiro amor, volte onde deixou cair. Não negocie a Palavra de Deus.